Uma janela sobre o mundo bíblico

Em apocalipse, qual o significado da besta que sobe do mar e do dragão que dá poder a ela?



  • Pergunta de Paulo Schiavo Bruckner, São Paulo - SP
  • 1511
  • 05/08/2017
Odalberto Domingos Casonatto

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Olá Paulo Schiavo Bruckner de São Paulo - SP!

Embora já muito foi comentado a respeito do capítulo 13, e o significado das imagens e figuras que aparecem, em forma resumida coloco novamente alguns pontos que poderão ajudar a sua compreensão da pergunta.

 

Qual o significado da besta que subiu do mar?

A primeira besta (capitulo 13), vinda do mar, é o símbolo do caos total, é o próprio mal personificado, se pode ainda dizer que para as Igrejas da Ásia, geograficamente o mar do Ocidente, é o lugar que chegam as forças de opressão e os conquistadores Romanos. Os 10 chifres e sete cabeças. (alguns autores interpretam os 10 chifres como sendo as nações que seguem Roma e as sete cabeças representam as sete colinas da cidade de Roma e tem a mesma aparência de Satanás (descrito no capítulo 12) .

 

Qual o significado do dragão que dá poder para a besta?

Este dragão podemos identificar com o demônio, a personificação do mal e suas consequências com aqueles que seguem a sua voz.

Assim o Império Romano deve o poder que possui ao dragão (Satanás), lembrando a antiga serpente. Satanás entregou ao Império Romano o domínio do mundo. Em resumo o Mostro símbolo do próprio Satanás ou demônio do capítulo 12 deu a Besta o seu poder, expresso na palavra (dynanin) = dinamismo, igualmente o seu trono e a autoridade máxima (exousian megálen). A força e o poder do Império Romanos não são próprios mas eles vem de Satanás.

 

Qual o significado do capítulo 13 do Apocalipse?

As comunidades cristãs oprimidas e perseguidas pelo Império Romano apresentam neste capítulo 13 as duas formas da besta, uma em Ap 13,1-10, a que surge do mar (o Império com todo seu aparato dominador) e em Ap 13, 11-18 a que surge da terra (está se referindo a ela como Falso Profeta, a sua ideologia).

Ainda é preciso detalhar que no Ap 13,1 temos  a besta com dez chifres, que são os dez reis e as sete cabeças, que representam as sete colinas da  cidade de Roma, e sobre cada um dos dez chifres temos as diademas alusão ao reis, pois são eles que usam diademas e ainda sobre as dez cabeças os nomes blasfemos, dos reis em cada uma delas.

O texto agora apresenta o nome da besta em Ap 13,18:

 “Aqui é preciso discernimento! Quem é inteligente calcule o número da Besta, pois é um número de homem: seu número é 666." (Ap 13,18) Bíblia de Jerusalém.

Para esta segunda besta a maioria dos comentaristas interpretam o número 666 como o nome do Imperador Romano César Neron.

Concluindo: Longe de interpretações que remetem as profecias do final dos tempos, ou final do mundo, que causam medo e terror e de superstições que envolvem o número 666 e o número 13. Acreditamos que a mensagem de esperança, e de segurança que vem escondido no texto, é a que mais nos ajuda a entender os símbolos, os números e figuras assustadoras do apocalipse e possamos vivenciar hoje a mensagem do apocalipse.

 

Uma chave de compreensão do capítulo 13 vem do livro de Daniel

Uma chave para entender e interpretar Ap 13 encontramos em Dn 7,3-7 em que a Besta tem as características de animais selvagens: o leão, o urso e o leopardo, e um outro animal com aparência terrível e extremamente forte, que também saem do mar e representavam os impérios que dominaram o povo de Israel até a época de Daniel (os Assírios, Babilônios, Persas e Gregos). Uma dominação que tem um caráter animalesco e selvagem e por isso a sua representação é em forma desses animais selvagens. As comunidades cristãs da época dos anos 90 d.C. sofrem uma dominação e opressão do Império Romano em escala ainda maior que aquela da época até Daniel e por isso a representação da besta, com sete cabeças e dez chifres.

 

Fonte de consulta:

  • Richard, Pablo, Apocalipse, reconstrução da Esperança, Vozes Petropólis, 1996
  • Corsini, Eugênio, O apocalipse de São João, Paulinas 1981.
  • Aurelia Irmã, El Apocalipsis: Um libro de Esperanza, Comunidad de Guichon, Uruguai,. 1987.

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