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Lugares bíblicos

Quais são as virtudes que o Espírito Santo produz em nós, de acordo com Gálatas 5,22-23?

Pergunta de Wandilson Faria Valério , Mongaguá
Resposta de Odalberto Domingos Casonatto, em 16/05/2012


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Olá Wandilson Faria Valério de ongaguá / SP!

Para a resposta a pergunta, utilizo um artigo, que nesta semana coloquei a disposição no “site aBiblia. org”, que foi trabalho de um longo estudo sobre a escatologia na carta aos Gálatas e inclui o texto de Gl 5,16-26. Neste estudo foi abordada a questão das antíteses, quiasmos, paralelismo, catálogo de vícios e virtudes, que encontramos na composição literária do texto escrito por Paulo.

 

Quanto as virtudes que o Espírito Santo produz em nós, na minha compreensão depois do estudo deste texto é a seguinte: Caminhar segundo o Espírito produz em nos o fruto do amor. Este fruto é a “grande virtude”que Paulo anuncia e que se desdobra em 9 virtudes, (ver Gl 5,22-23) dispostas em tríades de 3 virtudes cada tríade. O fundo literário segundo varios escritores como Nelis, Brunot, Lausberg vem dos antigos catálogos de vícios e virtudes dos gregos e romanos conforme explicação mais abaixo:

1 tríade: amor, alegria, paz, (Gl 5,22)

2 tríade: longanimidade, benignidade, bondade, (Gl 5,22)

3 tríade: fé, 23 mansidão, autodomínio. (Gl 5,22c-23)

 

A tradução do texto Gl 16-26

22Ao contrário, o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé,

23mansidão, autodomínio. Contra tais coisas não existe lei.

 

Observações sobre a estrutura de Gl 5,16-26

A estrutura que utilizamos no estudo da perícope 5,16-26 é a estrutura concêntrica, (Martinez, 1984 p. 110-111) que nos indica a temática escatológica do texto.

 

Estrutura concêntrica de Gl 5,16-26

A dimensão escatológica do comportamento cristão no caminhar segundo o Espírito. Segue abaixo apenas os dois versículos relacionados com a pergunta

22Ao contrário, o fruto do Espírito é:

amor, alegria, paz,

longanimidade, benignidade, bondade,

fé, 23 mansidão, autodomínio.

Contra tais coisas não existe lei.

 

A título de complementação:

 

O catálogo dos vícios e virtudes

Catálogos de vícios e virtudes, encontramos tanto na ética pagã da antiguidade quanto no judaísmo, bem como no Novo Testamento. Já no século IV a. C. conheciam-se exortações semelhantes aos catálogos dos vícios e virtudes em documentos extra-bíblicos. Nas escolas estoicas (Sêneca e Epíteto) aparecem certas enunciações de caráter geral com referência a obrigações pessoais. Entretanto, o caráter geral dessas formulações leva-nos a pensar que a origem dos catálogos se aproxime do ambiente judeu-helenístico, vizinho à sinagoga. Fornecem-nos elementos para isso: Flávio Josefo em seu esquema tripartido de exortações a mulheres, crianças e escravos; Filão, em uma lista de atitudes com respeito aos pais, ao cuidado da mulher em casa, à educação dos filhos, etc.

(Textos que podem ser fontes destes catálogos de vícios e virtudes: Filão, Sacr 27 (elenco das virtudes); 32 (dos 146 vícios); nos escritos apocalípticos pré-cristãos: Test Ben 6,4; Tes Rub 3,2;ou na época neotestamentária, Ass Mos 7, da Comunidade de Qumran,1 QS 4,2-6, 9-11; 1 QS 3,20-21)

Na Bíblia, encontramos com muito maior frequência listas de pecados e vícios do que de virtudes. Essas listas certamente têm origem na legislação judaica e, em forma particular, no decálogo. Os catálogos neo-testamentários não apresentam um quadro homogêneo. Entretanto, na literatura paulina encontramos um determinado grupo de virtudes e de vícios que se repetem com frequência (No Novo Testamento encontramos oito grupos de virtudes (Cl 3,12; Ef 4,2; 5,9; Gl 5,22; 1 Tm 4,12; 1Tm 6,11; 2 Pd 1,5-7) e 18 listas de vícios ( Mc 7,21-22; Rm 1,29-32; Rm 13,13; 1 Cor 5,10-11; 1 Cor 6,9-10; 2 Cor 12,20-21; Gl 5,19-21; Ef 5,3-5; Cl 3,5. Cl 8-9; 1 Tm 1,9-10; 2 Tm 3,2-5; Tt 3,3; 1 Pd 2,1; Ap 21,8; Ap 22,15).

Em referência à lista de Gl 5,19-23, tudo indica que, quanto à forma, ela se aproxima daquela dos moralistas populares do mundo helênico de seu tempo e, quanto ao conteúdo, se assemelha à lista de vícios e virtudes, encontrada na Bíblia. Em Dt 30,15-19 lemos: “Eis que hoje estou colocando diante de ti a vida e a felicidade, a morte e a infelicidade...”; Jr 21,8-9: “E a este povo dirás: Assim disse Iahweh: Eis que vou colocar diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte..."; 1 Rs 18,21: "Até quando claudicareis das duas pernas? Se Iahweh é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o"; Ecl 15,17: "Diante dos homens está a vida e a morte, ser-te-á dado o que preferires”. Também na literatura extra - bíblica encontramos exemplos disso (1 QS 3,13 - 4,2).

Para concluir, podemos afirmar que Paulo, na exposição de sua argumentação ao interno da perícope Gl 5,16-26, utiliza o gênero literário das antíteses e da lista dos vícios e virtudes, destacando-se em forma saliente o contraste entre Espírito e carne. Esta maneira paulina de argumentar era muito comum em sua época, em particular na diatribe dos estoicos. O catálogo dos vícios e virtudes tem sua origem, provavelmente, na filosofia helênica e sofreu transformações ao passar ao judaísmo helênico. O texto de Gl 5,16-26 mostra que esta perícope tem seu "Sitz im Leben" na catequese da comunidade primitiva, comprovada no versículo 21.

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