Talvez não seja correto dizer que o Sermão da Montanha (Mateus 5,1 – 7,29) trouxe profundas mudanças nas doutrinas judaicas, pois a doutrina dos judeus segue independentemente a sua estrada, mesmo diante das palavras de Jesus. Contudo é verdade que Mateus cria uma relação com a primeira aliança, aquela estabelecida com Moisés no Monte Sinai e, neste sentido, podemos dizer que o sermão ‘afeta’ a doutrina judaica. De fato o sermão da montanha começa com a declaração que Jesus “subiu o monte”, coisa que normalmente se diz no Antigo Testamento quando Moisés recebe a aliança no Sinai. Certamente o uso da mesma expressão é deliberado e revela um convite à renovação da relação de aliança: depois da primeira aliança com Moisés chega a segunda e definitiva, aquela feita em Jesus, que completa (não suprime!) a primeira.

Parte do Sermão da Montanha consiste nas conhecidas ‘bem-aventuranças’. Essas frases são consideradas, sobretudo na catequese e na liturgia, como o resumo daquilo que é ser um discípulo de Cristo. Trata-se de um manifesto do programa com o qual Jesus conseguiu reunir em torno a si os pobres, os famintos, os mansos, os oprimidos e os perseguidos.