Aline, a história de Abraão é contada em Gênesis 12 – 25. Ele é chamado a deixar sua terra, na Mesopotâmia, e ir para uma terra desconhecida (Gn 12,1). Abraão deixa uma vida segura, junto ao clã paterno, e se abandona completamente à promessa divina, que é o princípio de uma nova história da salvação. Essa história se fundamenta sobre dois pilares: a ordem de partir dada por Deus e a obediência radical de Abraão (Gn 12,4): tudo começa a partir do momento que ele crê, esperando contra toda esperança, como diz São Paulo aos Romanos (4,18).

A fé de Abraão é aquilo que caracteriza a sua ‘amizade’ com Deus. Quando Deus lhe promete uma descendência, numerosa como as estrelas do céu (Gn 15,5), ele acredita, apesar de ser estéril. Deus reconhece o mérito desse ato. De fato Paulo, sempre em Romanos 4, toma esse gesto para defender que a justificação depende da fé e não das obras da lei. Porém deve ser uma fé viva, como se recorda em Tiago (2,21-23), que usa o mesmo texto para condenar uma fé sem obras.

A promessa que Abraão recebe é aquela de uma descendência muito grande, um povo, entendido como uma entidade étnico-estatal, que será Israel. Além de ser o fundador do povo, que Deus elege como seu, Abraão é também pai espiritual e fonte de bênção para todos os povos da terra: Ançoarei os que te abençoarem, amaldiçoarei os que te amaldiçoarem. Por ti serão benditos todos os clãs da terra (Gn 12,3)

Abraão é chamado “amigo de Deus” em Isaías 42,8.