Zilda, infelizmente a Bíblia não menciona esse fato. Ele aconteceu entre os anos 6-10 depois de Cristo e quem o conta é o historiador judeu Flávio Josefo, que viveu no primeiro século depois de Cristo, contemporâneo da primeira comunidade de cristãos. No seu livro “Antiguidades Judaicas” ele narra que, na festa da Páscoa, as portas do Templo ficavam abertas durante a noite. Uma noite um grupo de samaritanos entrou secretamente em Jerusalém e jogou entre os pórticos do Templo e no seu interior ossos humanos, profanando, desta maneira, o lugar sagrado. Isso causou muita indignação entre os judeus.

Esse fato, que ilumina a situação que existia entre judeus e samaritanos, pode nos ajudar a entender, por exemplo, o valor da parábola do Bom Samaritano, contado por Lucas ou também a conversa de Jesus com a Samaritana, em João 4.

Entre os judeus e samaritanos houve sempre diversos dificuldades. Os judeus, já antes de Cristo, diziam que a gente que vivia no território que uma vez, na época do reino dividido, era o Reino de Israel, cuja capital era Samaria, não eram verdadeiros judeus, mas descendentes de colonizadores assírios, que teriam sido enviados pelo imperador Assírio depois da conquista de Samaria em 722 antes de Cristo. Os verdadeiros habitantes da Samaria, que também eram judeus, teriam sido deportados, como conta 2Reis. De qualquer forma os samaritanos se consideram descendentes das tribos de Efraim e Manassés.

Mais tarde também o povo do Reino de Judá foi deportado em Babilônia. Quando os exilados em Babilônia voltaram ficou mais claro o conflito entre os dois grupos. Após a libertação dos exilados por Ciro II em 537 a.C., estes decidem reconstruir o templo de Jerusalém. O Samaritanos oferecem então a sua ajuda, mas esta é rejeitada, tal como descreve o Livro de Esdras.

Mais tarde, na época de Carlos Magno, construíram um templo rival ao de Jerusalém, no Monte Garizim, em Siquém (actual Nablus).

A base religiosa dos samaritanos é o pentateuco, somente os primeiros 5 livros da Bíblia.

Hoje existe uma convivência pacífica entre os dois grupos. Na verdade a população samaritana é estimada em cerca de 670 pessoas (2005), que vivem no monte Gerizim e em Holon, comunidade essa criada pelo segundo presidente de Israel, Yitzhak Ben-Zvi, em 1954.