A sua pergunta se refere a uma questão teológica bastante profunda. Tudo parte do personagem de Gênesis, o homem criado por Deus, Adão. Ele é como um rascunho, uma coisa que a humanidade deve ser. Em linguagem mais técnica se diz que é um “tipo”, alguém que nos mostra aquilo que o Senhor espera de todos nós: ser à sua imagem.

Essa leitura de Adão é fundamentalmente baseada na teologia de Paulo, que diz claramente que o primeiro Adão é o “tipo” do novo Adão, que é Cristo; Adão é o “tipo” imperfeito de Cristo.

Essa ideia Paulina encontra confirmação também nos evangelhos. Em Marcos, por exemplo, Cristo é apresentado entre os animais selvagens, depois de uma prova da qual, diferente de Adão, sairá vitorioso, abrindo uma nova era, retomando vitoriosamente a aventura do primeiro homem.

Lucas sublinha, na genealogia do capítulo 4, como Jesus era filho de Adão, filho de Deus. O famoso esegeta, Pe. Lagrange, a propósito dessa justaposição, disse: “deveríamos entender que Jesus era um segundo Adão, muito superior ao primeiro”.

 

1 Coríntios 15

Texto fundamental para entender essa teologia se encontra em 1Cor 15, especialmente nos versículos 21-22 e 45-49.

De fato, já que a morte veio através de um homem, também por um homem vem a ressurreição dos mortos.22 Como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos receberão a vida.

Adão, o primeiro homem, tornou-se um ser vivo, mas o último Adão tornou-se espírito que dá a vida. 46 Primeiro, não foi feito o corpo espiritual, mas o animal, e depois o espiritual. 47 O primeiro homem foi tirado da terra e é terrestre; o segundo homem vem do céu. 48 O homem feito da terra foi o modelo dos homens terrestres; o homem do céu é o modelo dos homens celestes. E assim como trouxemos a imagem do homem terrestre, assim também traremos a imagem do homem celeste.

Basicamente Paolo está dizendo que Cristo recomeça tudo, renova tudo: ele é a grande reviravolta da história universal. Nós temos dentro de nós a imagem do primeiro Adão, uma força que deriva do original e que nos leva a imitá-lo. Mas temos dentro de nós também a imagem do homem celeste, como um dinamismo que nos transforma. Enquanto Adão trouxe a morte, o Cristo a venceu graças à sua ressurreição.