Em 1Tm 4,5 se diz que tudo o que Deus criou é bom e que pela força da Palavra de Deus e pela oração, tudo pode ser santificado. Minha pergunta é: Posso abençoar um alimento, ou até mesmo abençoar uma água? E qual é a diferença entre o que eu abençoo e o que o sacerdote abençoa, por exemplo, a água benta e água úngida no protestantismo?

Pergunta de Santhiago Mendes de Andrade, Anápolis
Resposta de Luiz da Rosa, em 05/11/2006


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Prezado Santhiago, vou tentar responder a sua pergunta, embora parto da premissa que a reflexão mais adequada deveria ser dada por um liturgo ou um teólogo do que por um exegeta propriamente.

Na bíblia vemos que o termo “bênção” é muito freqüente. Na tradução Almeida o termo, como substantivo ou verbo, aparece 101 vezes. Em geral é Deus quem abençoa, sobretudo as pessoas singularmente (Gn 12,1-3; Ez 34,26; Sl 3,8), mas também o seu povo em geral (Dt 26,15; Sl 28,9). No Novo Testamento Jesus abençoa as crianças (Mc 10,16) e os apóstolos, antes de subir aos céus (Lc 24,46).
Porém as pessoas também abençoam: Isaac abençoa Jacó (Gn 27), Jacó abençoa todos os filhos (Gn 49), Moisés (Ex 39,43) e Davi (2Sam 6,18) a sua gente, o povo abençoa o seu rei (1Rs 8,66), o velho Simeão a Sagrada Família (Lc 2,34), o maior abençoa o menor (Hb 7,7) e parece que todos podem abençoar em nome do Senhor (Sl 129,8). A nível sacerdotal, os filhos de Levi (2Cr 30,27) e os filhos de araão (Lv 6,23) têm como missão bendizer.
Quanto aos objetos, devemos notar que não existe nenhuma testemunhança na Bíblia de bênção a particulares objetos como é costume hoje: água, casa, carros, correntinhas e objetos de veneração. A única bênção dada a objetos é aquela dada aos alimentos: Deus abençoa o pão e a água de quem o serve (Ex 23,25; Sl 132,15) e Jesus o pão (Mc 14,22) e também os peixes (Lc 9,16). Embora seja verdade que Deus abençoa em geral todas as obras de suas mãos (Jo 1,10).

A partir dessa breve síntese, podemos fazer quatro considerações:
1. A bênção é sempre no nome do Senhor;
2. Ser abençoado implica sempre uma graça, um sinal de felicidade e de situação priveligiada de abundância: as bênçãos do Senhor são copiosas, são como uma chuva de graça (Ez 34,26)
3. Muitas vezes a bênção é dada por quem goza de uma certa autoridade, adquirida seja pelo cargo que ocupa (rei, sacerdote, pai, maioridade), mas sobretudo por causa de sua retidão.
4. A bênçao é dada sobretudo às pessoas, mas também, às vezes, às coisas. Nesse caso não aparece nunca o sentido de um valor mágico adquirido pelo objeto bendito, mas apenas a função de agraciar a vida humana, principalmente como nutrição.

Aqui deveria parar reflexão, pois eventuais outras incursões da minha parte você deve considerar incompetentes. Mas sei também que as palavras acima podem não satisfazer sua interrogação. Por isso, com prudência, me aventuro. Não tenho autoridade, conhecimento e nem fontes para basear qualquer consideração sobre a bênção praticada pelas igrejas protestantes e pentecostais. Portanto faço algumas considerações sobre a prática na igreja católica

A história da igreja tem exemplos de bênçãos já nos primórdios: Ipólito recomenda a bênção do óleo, do queijo, azeitonas, pão, mel, etc. Na Idade Média os textos atestam o uso freqüente de celebrações onde era comum fazer as bênções. No Ritual Romano de 1614 temos já os rituais dessas bênçãos que eram chamadas de rituais Sacramentários.

Atualmente a igreja católica, através do seu Códico de Direito Canônico, afirma que o ministro dos tais sacramentários “é o clérico com a devida potestade; segundo a norma dos livros litúrgicos, alguns sacramentários, a juízo do Ordinário do lugar, podem ser administrados também por leigos que sejam dotados das qualidades convenientes (Cânone 1168).

Teologicamente, o Catequismo da Igreja Católica diz que os sacramentários “são sinais sagrados por meio dos quais, com uma certa imitação dos sacramentos, se obtêm efeitos sobretudo espirituais, santificando as várias circunstâncias da vida” (n. 1667). Eles não dão a graça como os sacramentos, mas preparam a sua recepção e cooperam com ela (n. 1669).
Quanto aos ministros de tais bênções o Catequismo afirma que fazem parte do sacerdócio batismal: “cada batizado é chamado a ser benção e a benzer. Por isso também os leigos podem presidir algumas bênções; Quanto mais uma bênção tem a ver com a vida eclesial e sacrametal, mais a sua presidência é reservada ao sacerdote” (n. 1669).

Peço perdão se não respondo pontualmente as suas perguntas, mas espero que essas linhas lhe dê oportunidade para reflexão e busca de uma resposta concreta para cada situação.

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3 comentários

Postar um comentário

  • Ademar (aracruz) - 31/07/2012


    tá aí a água benta;;;

  • telma (rio real) - 08/04/2009

    vc citou o texto certo de hebreus, pois o maior abençoa o menor. Seu líder, seu pastor, apóstolo, é constituída por Deus e está como autoridade sobre vc. Peça a benção, seja abençoado por eles em nome do Senhor das bençãos-JESUS CRISTO e descanse n'Ele.

  • ana rosa (registro) - 23/05/2008

    È tudo uma hipoclisia,falam, falam, e acabam sempre fazendo a mesma coisa.