As restrições em relação às práticas do culto para uma mulher que deu à luz a um menino e menina estão em Levíticos 12,2-5:

Se uma mulher conceber e der à luz um menino, ficará impura durante sete dias, como por ocasião da impureza das suas regras. No oitavo dia, circuncidar-se-á o prepúcio do menino e, durante trinta e três dias, ela ficará ainda purificando-se do seu sangue. Não tocará coisa alguma consagrada e não irá ao santuário, até que se cumpra o tempo da sua purificação.

Se der à luz uma menina, ficará impura durante duas semanas, como durante suas regras, e ficará mais sessenta e seis dias purificando-se do seu sangue.

A questão da pureza ritual

Nós hoje não entendemos essas restrições. Muitas vezes são frutos de concepções culturais graças a Deus superadas hoje em dia. Muitas não são mais praticadas em contexto cristão. Todavia havia uma teologia por trás de cada uma dessas leis que podem nos ajudar a entender a história da salvação.

Normalmente ligamos a pureza ritual com o pecado. Isso é completamente errado. A pureza ritual não é uma questão moral. Também o Sumo Sacerdote devia purificar-se para os serviços no templo! Ou seja, não significa que uma pessoa em estado de pureza seja santo. O princípio é que somente Deus é Santo. A pureza ritual, invés, é uma condição propícia para aproximar-se do sagrado. Portanto, o que está por trás dessa prática é a evidente vontade e consciência que se está aproximando do sagrado. Purificar-se significa a demonstração dessa consciência.

No cristianismo

As regras de pureza foram profundamente discutidas no início do cristianismo, principalmente quando a igreja era formada principalmente por judeus cristãos. Devagarinho as regras começaram a ser interpretadas em sentido simbólico. Muitos padres da igreja interpretam as categorias de "pureza" e "impureza" alegoricamente, com símbolos de virtude e pecado, insistindo nos sacramentos como fontes suficientes de purificação para os cristãos.

Metódio de Olimpo, no seu tratado sobre os alimentos dos judeus escreve: "é claro que quem foi uma vez purificado através do novo nascimento, o batismo, não pode mais ser manchado por aquilo que se fala na lei. Também Clemente de Alexandria escreve que o casal não precisa mais tomar banho, depois da relação sexual, pois, diz o padre da igreja, através do batismo o Senhor purificou para sembre o cristão.

Essas concepções fizeram com que as questões inerentes às leis do Antigo Testamento fossem consideradas obsoletas e, muitas vezes, não fazem mais parte de discussões teológicas. Todavia, embora não mais usadas por nós, elas têm um sentido teológico que é importante explorar, tendo claro que não representam uma questão moral, mais sim uma expressão evidente da consciência da diferença entre o sagrado e o profano, pois o objetivo primordial dessas leis é "separar o sagrado e o profano, o impuro e o puro" (Levítico 10,10).