Na anunciação a Maria do nascimento de Cristo, o anjo Gabriel diz a ela:

"Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!"

O termo usado em grego é  κεχαριτωμένη (kecharitōmenē). É a única vez que aparece na Bíblia, em grego. Aqui cito algumas traduções usadas para esse termo, em diferentes versões:

  • Bíblia de Jerusalém: cheia de graça
  • Nova Tradução na Linguagem de Hoje: muita abençoada
  • Almeida revista e atualizada: muito favorecida

No fundo, não há muita discondância em relação às traduções. Talvez é uma coisa boa ter presente a forma verbal desse vocábulo, isto é, estamos diante de um particípio passivo. A voz passvia sublinha o fato de tratar-se de algo "sofrido", isto é, não é a pessoa mesma que faz a ação, mas sofre a ação. Portanto, maria foi "enchida" de graça, não é algo que é inerente a si mesma, mas foi um dom recebido.

 

Isabel

A outra parte da sua pergunta tem a ver com Isabel, que como Maria, estava grávida, fruto de um evento milagroso. Dela nasceu João Batista. A frase a qual se refere se encontra em Lucas 1,25, e conta a satisfação de Isabel pela notícia da gravidez:

Isto fez por mim o Senhor, quando se dignou retirar o meu opróbrio perante os homens.

O verbo grego usato é πεποίηκεν (pepoiēken). É um perfeito indicativo do verbo "poieo", fazer. A tradução citada acima, da Bíblia de Jerusalém, é bem feita (a Nova Tradução na linguagem de hoje diz: "Agora que o Senhor me ajudou, ninguém mais vai me desprezar por eu não ter filhos.")

É evidente que tem uma diferença entre os dois termos usados. Um verbo especial é usado para descrever o que aconteceu com Maria, pois quem dela nascerá é muito maior do que João Batista.