Essa sua pergunta faz parte do conjunto de tantas interrogações sobre a violência na Bíblia. Como pode um Deus que manda amar os inimigos desejar a morte das pessoas? É a pergunta que sintetiza bem essa polêmica.

Há muito tempo se discute isso e houve inclusive heresias que derivaram da reflexão dessa questão. Alguns chegaram a defender que se tratavam de dois deuses diferente, um do antigo e outro do novo: um mau e outro bom.

Isso acontece porque nunca se entendeu bem a relação que tem o Antigo Testamento com o Novo, de como um é continuidade do outro, de como um depende do outro e de como se complementam. Diante de um texto difícil que aparece no Antigo Testamento, é costume ouvir falar de teologia primitiva e aparece então a necessidade de acomodar aquelas passagens, muitas vezes sublinhando a superioridade do Novo Testamento. Invés os dois testamentos são importantes e o Antigo nunca foi revocado.

Todavia, é preciso ter a coragem de dizer que no Antigo existem coisas imperfeitas e caducas, que precisam ser entendidas como uma etapa da revelação história e como expressão da pedagofia divina, que ensinou Israel a crescer.

Isso mesmo: a revelação divina está enraizada na história. A Bíblia não foi escrita da noite pro dia; não caiu do céu pronta. O povo aprendeu aos poucos a conhecer Deus, que se revela plenamente em Cristo.

Há quem diz, então, que nos bastaria o Novo Testamento. Não é assim. De fato o Antigo é a raiz do Novo. Como pode uma planta sobreviver sem sua raiz? Precisamos ainda hoje do Antigo Testamento para entender bem quem é Deus!

 

Eliseu e os meninos devorados pelas ursas

A passagem que você menciona se refere ao episódio contado por 2Reis 2,19-25: rapazes zombam do profeta dizendo: "sobe, careca!" Eliseu os amaldiçoou em nome de Iahweh e 42 rapazes foram despedaçados por duas ursas.

O ensinamento dessa passagem é mostrar o poder de Eliseu: ele é benéfico para os que reconhecem sua missão, mas ninguém pode zombar do homem de Deus sem ser punido!