Uma novela é uma novela.  A Bíblia não é novela! Ao transformar a Bíblia em novela, acontece o que você está experimentando: há muita ficção e poucas coisas coincidem com aquilo que você pode ler no livro sagrado.

Toda essa trama da novela da Record, que infelizmente não posso ver, é ambientada em Ur dos Caldeus, uma cidade que não existe mais, mas que ficava no atual Iraque, na antiga região da Mesopotâmia, na foz do Rio Eufrates. Esse contexto é para dar início à história de Abraão, pois é ele nasce nessa região, de onde saírá em direção à Palestina, depois da promessa que Deus lhe faz, dizendo que dele nascerá um povo numeroso. Terá (prefiro Taré em hebraico תֶּרַ? / תָּרַ?) é o pai de Abraão. Tudo o que a Bíblia diz delle se encontra em poucos versculos, em Gênesis 11,24-32. Em síntese, diz simplesmente que ele foi o pai de Abraão, Nacor e Arã. Taré saiu junto com Abraão de Ur, para Harã, onde morreu. Depois Abraão segue para Canaã.

Portanto, a Bíblia não diz nada da vida de Taré e muito menos sobre eventual romance com uma sacerdotiza. É muita imaginação, coisa necessária para a novela.

A Bíblia não é conta biografia das pessoas e muito menos se detém em questões sentimentais, exceto se não serve para contar a história do povo de Israel. O interesse pelo sentimento das pessoas é típico das novelas, mas não existe esse estilo na literatura bíblica.

Acredito que seja algo positivo o fato que as novelas se dediquem a temas bíblicos, pois colocam o nosso livro sagrado no centro. Mas, como podemos ver, por trás existe um perigo muito grande: o de confundir a Bíblia com uma novela. Podemos assistir essas obras de ficcção, mas consientes que a Bíblia está muito longe daquilo que aparece na televisão. A coisa melhor, para criar consciência é, paralelo à novela, ler aquilo que diz o livro bíblico em questão.