Hoje em dia ficou muito fácil traduzir a Bíblia: o acesso aos textos antigos foi facilitado pelas edições críticas e os recursos que a rede coloca à disposição ajudam a aproximar o estudioso dos textos sagrados. Ao lado disso, é muito fácil publicar um livro, seja imprimido que digital. É claro que, considerando as dimensões da Bíblia e a dificuldade de conhecimento do hebraico e grego, as facilidades mencionadas são menos lógicas no campo bíblico.

Em maneira resumida, diria que todas as traduções bíblicas existentes são feitas com bom propósito e procuram aproximar o fiel da Palavra de Deus. O resultado, todavia, nem sempre é o melhor.

Menciono alguns critérios que acredito serem importantes para a avaliação de uma tradução.

  1. Abra as primeiras páginas da Bíblia e veja que informações traz: editor, ano de publicação, equipe de tradutores, confissão religiosa, apresentação... Muitas bíblias não têm nenhuma informação e começam logo com o texto bíblico. A falta de informação depões contra tal versão.
  2. Um critério importante para avaliar uma tradução, sem tomar em considerações elementos técnicos e científicos, é a data em que a tradução foi feita. Isso é importante porque, como dito acima, hoje em dia é muito mais fácil ter diante de si os textos originais e suas variantes. No passado não era fácil conseguir o texto original da Bíblia e muito menos confrontar os diferentes manuscritos existentes. O tradutor de hoje não precisa ir fisicamente nas diferentes bibliotecas e esfolhar, quando possível, os manuscritos bíblicos; basta tomar uma edição crítica dos textos originais, como a Biblia Hebraica Stuttgartensia ou o Nestle-Aland e começar a traduzir, conhecendo, obviamente, as línguas bíblicas.
  3. Considere a equipe de tradutores. Antigamente, pessoas audazes traduziram a bíblia inteira: Jerônimo, Almeida, Schökel... Hoje em dia, normalmente, é fruto de trabalho de equipe, somando forças tanto em relação à capacidade de entendimento do hebraico e grego e de interpretação do texto quanto às competências da língua portuguesa. A Bíblia de Jerusalém, por exemplo, tem 16 tradutores, além de vários revisores exegéticos e literários. Embora não conheça bem, acredito que também a Sociedade Bíblica Brasileira, que detém os direitos de algumas edições da Bíblia Almeida e da Bíblia na Linguagem de Hoje, conte com uma equipe de espertos.
  4. Com certeza você pertence a alguma confissão religiosa. Sabendo da diferença entre Bíblia Católica e Bíblia Protestante, é importante saber se a Bíblia que você compra condiz com seus princípios religiosos ao menos na forma. Se você se considera ecumênico, a Tradução Ecumênica da Bíblia é uma opção louvável.
  5. As notas com certeza dão valor à Bíblia. Muitos dirão que basta o texto. Sabemos bem que isso não é verdade, pois ele nasceu em um contexto completamente diferente do nosso e precisamos de instrumentos para poder ler com mais eficácia a Palavra de Deus.

 

Confiança nas traduções

A confiança é a soma de elementos objetivos e subjetivos: um católico praticante tem preconceitos em relação à Bíblia Almeida e, provavelmente, um evangélico não terá em mãos uma Bíblia Ave Maria. Posso lhe dizer que gosto e uso a Bíblia de Jerusalém, mas você, com seus argumentos, poderá me rebater. Penso que não importa tanto a Bíblia que usa, mas é fundamental a consciência que as traduções têm limites e que aquela usada pode não ser a melhor. Tente aplicar os 5 pontos mencionados acima e crie a sua própria resposta em relação à versão que usa.

 

Versões de estudo

Cito brevemente três versões. Em campo católico, sem dúvida, predomina a já mencionada Bíblia de Jerusalém. Muitos evangélicos usam a versão da Sociedade Bíblica do Brasil, a Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Uma Bíblia que tem muito crédito é a Tradução Ecumênica da Bíblia. Trata-se um projeto realizado na França e tem índole ecumênica. Há uma tradução brasileira, que é publicada pela Loyola.