Uma janela sobre o mundo bíblico

Natal é uma festa pagã?



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  • 09/12/2016
Luiz da Rosa

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Nos aproximamos do Natal, a festa cristã com as maiores manifestações durante o ano. Pelo mundo afora exitem muitos costumes ligados a este período, diferentes para cada lugar e cultura. Podemos inclusive ficar espantados com as inúmeras tradições existentes. Mas o que espanta mais é o fato que exitam cristãos que consideram essa festa algo de pagão e não querem festejá-la. Alguns chegam a nos interrogar: como podem anunciar o evangelho e ao mesmo tempo apoiar uma festa pagã como o natal? Não sei quantos pensam na festa do natal como algo pagão, mas quem pensa assim diz que os primeiros cristãos não o celebravam e que ele foi instituido somente a partir do século IV. Além disso, dizem que 25 de dezembro é uma data ambígua, pois coincidia com a festa pagã do "sol invicto", substituída exatamente pelo natal.

Essas informações são verdadeiras. Além disso, também na Bíblia a reflexão sobre o nascimento de Jesus não é um tema central; é tratado em Mateus e Lucas, mas é ignorado por Marcos e João e pelos outros livros do Novo Testamento. Se compararmos o tema do natal e da pásqua, a proporção é muito distante!

Pode ser que no início da tradição, no século IV, alguns cristãos fizeram confusão entre as duas festas, mas dizer que hoje a festa do natal é uma coisa pagã não tem fundamento. Não existe confusão entre uma festa cristã e uma festa pagã. De fato, se quiséssemos encontrar algo de pagão nessa festa não devemos buscá-lo na sua origem, mas no seu desenvolvimento atual, no fato de ter se tornado uma festa comercial, onde tudo é visto sob a ótica econômica: tudo é vender e comprar, tudo tem um preço, tudo se torna mercadoria. Mesmo em um período de crise, como aquele em que vivemos, a liturgia do consumismo não muda.

Oxalá, num período duro como o nosso, mais pessoas pensarão, nesse tempo de natal, naquilo que é essencial, na solidariedade, por exemplo. E, principalmente, tomara que existam mais pessoas que contrastem o paganismo do nosso tempo, que transforma tudo em mercadoria, cada presente em um bem para desfrutar e o futuro uma ilusão da qual é preciso acordar o mais rápido possível.

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