A sua pergunta faz referência à tradição doutrinal, com base na Bíblia, segundo a qual Jesus, durante o período da sua paixão, entre sua morte e ressurreição, desceu ao inferno, conforme é confessado no creio, no Símbolo do apóstolos (Conferir Mateus 12,40; Romanos 10,7 e Efésios 4,9)

Um dos textos que nos ajuda a entender essa doutrina é a primeira carta de Pedro.
Em 3,18-19 lemos: Com efeito, também Cristo morreu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, a fim de vos conduzir a Deus. Morto na carne, foi vivificado no espírito, no qual foi também pregar aos espíritos em prisão, a saber, aos que foram incrédulos outrora, nos dias de Noé, quando Deus, em sua longanimidade, contemporizava com eles, enquanto Noé construía a arca, na qual poucas pessoas, isto´e, oito, foram salvas por meio da água.
Depois, podemos ler em 4,6: Eis por que a boa Nova foi pregada também aos mortos, a fim de que sejam julgados como os homens na carne, mas vivam no espírito, segundo Deus.

Normalmente a explicação que se dá a tal doutrina é que Jesus foi em espírito, enquanto a sua carne estava morta na cruz, ao Hades, ao inferno onde pregou aos espíritos em prisão. Existe, porém, interpretações diversas sobre o significado da expressão “espíritos em prisão”. Alguns crêem que eles são os demônios acorrentados, dos quais fala o livro apócrifo de Henoc; outros pensam que sejam o espírito dos mortos durante o dilúvio, que embora punidos uma vez, são chamados, graças à bondade de Deus, para a vida em Cristo; uma terceira interpretação retém que Cristo desceu para libertar os justos do Antigo Testamento, aqueles que não tiveram o privilégio de participar da redenção definitiva, dada a eles agora, com a paixão de Cristo.