INTRODUÇÃO

Muitos têm encontrado no livro de Salmos fonte de inspiração e consolo diante das dificuldades enfrentadas. Isto se dá porque em muitas das experiências ali encontradas são semelhantes aos dilemas de nossa atualidade.

Desta forma o livro de Salmos são como espelhos, pois reflete aquilo que realmente somos, bem como nos desafia a olharmos com fé e esperança (Girard, 2003, 9).

Assim é o Salmo 124 objeto desta exegese sendo um clamor pela justiça, mas acima de tudo um estímulo a não confiarmos nos homens pois são falhos e limitados, sendo a nossa fonte de esperança em Javé, Aquele que criou os céus e a terra.

Nesta exegese utilizamos o método histórico-crítico.

Quando escolhemos uma perícope para ser estudada nas etapas propostas pela disciplina de exegese do Antigo Testamento, fazemos aquela que nos fala ao nosso coração de uma forma especial, mas temos apenas uma visão limitada e quando nos tornamos “íntimos” da perícope estudada conseguimos perceber no texto aspectos até então ocultos ou até mesmo que não damos importância tanto pela negligência, quanto pela falta de conhecimento.

Espero com este trabalho ter colaborado de uma forma tímida para elucidar alguns aspectos importantes a respeito do Salmo 124, já que a literatura acadêmica em português ser limitada.

 

1. Análise Gramatical


ryvi Þ subs. Masc. Sing. Cs = canto de

tAl[]M;h; Þ art+subs. Fem. Pl = os degraus

dwId'l. Þ prep+ nome próprio = de Davi

yleWl Þ conjunção = Se não fosse

hw"hy> Þ nome próprio = Javé

hy"h'v, Þ part+ v. qal c. 3p.sing.masc ( hyh ) = que esteve

Wnl' Þ prep+sufixo 1ª p. pl = junto a nós

rm;ayO Þ v. qal inc. 3a p.sing ( rma ) = disse

an"- Þ part. Enfática = assim

`laer'f.yI Þ nome próprio = Israel

2 yleWl Þ conjunção = Se não fosse

hw"hy> Þ nome próprio = Javé

hy"h'v, Þ part+ v. qal c. 3p.sing.masc ( hyh ) = que esteve

Wnl' Þ prep+sufixo 1ª p. pl = junto a nós

~WqßB. Þ prep+ v.qal inf. Cs. ( ~Wq ) = ao se levantarem

Wnyle[' Þ prep+suf. 1ª p. pl = contra nós

`~d'a'. Þ sub. Masc. Coletivo = homens

3 yz:a] Þ adv. Tempo = então

~yYIx Þ adj. Pl. = vivos

WnW[l'B Þ v.qal c. 3ª p.pl + suf. 1ª p.pl ( [l'B ) = teriam nos engolido

tArx]B;.; Þ prep+ v.qal inf. cs ( hrx ) = ardendo

~P'a; Þ sub. masc. sing. + suf. 3ª p. pl = sua ira

`WnB' Þ prep+suf. 1a p.pl = sobre nós

4 yz:a] Þ adv. Tempo = então

~yIM;h; Þ art+sub. mas. pl = as águas

WnWpj'v. Þ v.qal c. 3ª p.pl.c. + suf. 3a p.pl ( @'jv ) = teriam nos levado

hl'x.n: Þ sub. mas. sing + suf. fem. sing. = sua torrente

rb;[' Þ v.qal c. 3ª p.m.sing (rb;[ ) = atravessaria, cobriria

l[; Þ prep = sobre

`Wnvep.n: Þ sub. fem. sing + suf. 1ª p. pl.c. = nosso ser ( cadáver, vida )

5 yz:a] Þ adv. Tempo = então

rb;[' Þ v.qal c. 3ª p.m.sing (rb;[ ) = atravessaria, cobriria

l[; Þ prep = sobre

Wnvep.n: Þ sub. fem. sing + suf. 1ª p. pl.c. = nosso ser ( cadáver, vida )

~yIM;h; Þ art + sub. mas. pl = as águas

`~ynIAdyZEh Þ art + adj. mas. pl = impetuosas

6 %WrB' Þ v.qal passivo = Lovado seja

hw"hy> Þ nome próprio = Javé

aL{v, Þ prep + part. negativa = pois não

Wnn"t'n> Þ v.qal c. 3ª p + suf. 1a p.pl ( !tn ) = nos entregou

@r,j, Þ sub. Mas.sing. cs = vítima ( presa ) de

`~h,yNEvil. Þ prep + sub. mas. Pl + suf. 3ªp.m.pl = aos seus dentes

7 Wnvep.n: Þ sub. Fem. sing,cs + suf. 1ª p.pl.c = nossa vida

rAPciK. Þ prep + sub. fem. sing = como pássaroe

hj'l.m.nI Þ v. niphal c. 3ª p. f. sing ( jlm ) = escapou

xP;mi Þ prep + sub..mas. sing. cs = da armadilhae

~yviq.Ay Þ v.q.particípio mas.pl ( vqiw ) = que foi armada

xP;h; Þ art + sub.mas. sing. = o laço

rB'v.nI. Þv.qal particípio mas.sing ( rBv ) = foi quebrado

Wnx.n:a]w: Þ vav conj. + pronome 1a p.pl.= e nós

`Wnj.l'm.nI Þ v. niphal comp.1ª p.c.pl ( jlm ) = escapamos

8 Wnrez>[, Þ sub. mas. sing. + suf. 1a p.pl = (o) nosso auxílio

~veB Þ prep + sub. mas. sing. cs = em nome de

hw"hy> Þ nome próprio = Javé

hfe[o Þ v.q. particípio mas. sing. (hf[ ) = que fez

~yIm;v' Þ sub.mas.sing. = céu

`#r,a'w" Þ vav conj + art. + sub.fem.sing. = e a terra

 

TRADUÇÃO

1 Canto dos degraus. De Davi

Se não fosse Javé que esteve junto a nós : assim disse Israel.

2 Se não fosse Javé que esteve junto a nós, quando os homens levantarem-se contra nós;

3 Então teriam nos engolido vivos, ardendo em ira sobre nós.

4 Então as águas teriam nos levado, sua torrente atravessaria o nosso ser.

5 Então cobriria todo ( o ) nosso ser, as águas impetuosas.

6 Louvado seja Javé, pois não nos entregou ( por ) presa aos seus dentes.

7 Nossa vida escapou, como pássaro da armadilha. O laço foi quebrado e nós escapamos.

8 Nosso auxílio ( está ) no nome de Javé, que fez ( o )ceu e a terra.

 

2. Crítica Textual

A única variante do texto objeto de nosso estudo aponta para a omissão da preposição l e do nome próprio dwId.

A omissão é testemunhada em poucos manuscritos hebraicos medievais, em cerca de 3 a 10 manuscritos aproximadamente ( Francisco, 2003, 146 ), e na melhor versão da Septuaginta.

O texto massorético apresenta a seguinte leitura : dwId'l. tAl[]M;h; ryv

Desta forma, testando a variante pelos manuscritos apontados pela BHS teremos a seguinte tradução : Canto dos degraus.

Os manuscritos do mar Morto além de sua importância arqueológica, deram uma contribuição importante para a Crítica Textual, principalmente porque quando comparados com os manuscritos hebraicos medievais “coincidiam substancialmente com o texto massorético” ( Barrera, 1999, 448 ).

A LXX versão grega do texto bíblico hebraico, como sabemos foi iniciada no século III aC., tendo a sua forma final nos finais do século II aC.. É uma tradução importante tanto pela sua antigüidade, quanto pelo fato de teve acesso a um texto hebraico diferente do texto utilizado pelos massoretas.

Segundo Barrera a coincidência das variantes dos manuscritos hebraicos medievais com a LXX, aponta para um texto diferente do texto massorético, podendo assim “remontar” a formas pré-massoréticas do texto hebraico massorético ( Barrera, 1999, 450 ).

Além destes aspectos externos da crítica textual, a variante em questão nos confronta com a regra da exegese que sinaliza a antigüidade do texto baseado na sua forma mais breve, pois a tendência dos copistas seria acrescentar ao invés de suprimir.

Possivelmente algum copista introduziu a preposição com o nome próprio, para sugerir a autoria davídica do salmo 124. Mas as especificações históricas presentes no livro de Salmos, mais precisamente no cabeçalho de cada salmo “foram acrescentados posteriormente... de pouco valor histórico” ( Schmidt, 2002, 286 ).

De acordo com o exposto acima, pelos critérios observados tanto externos quanto internos opto por considerar a sugestão da variante testemunhada pelos manuscritos hebraicos medievais e Septuaginta.

Desta forma o versículo fica assim : .tAl[]M;h; ryv.

Tendo a tradução : Canto dos degraus.

 

3. Delimitação do Texto

O Salmo 124 traz em seu corpo, algumas marcas importantes e bem visíveis acerca de ser uma perícope autônoma.

Dentre estas marcas pudemos perceber as seguintes :

a)      O Salmo é introduzido pelo título : “Cântico dos Degraus”; isto é um indício claro que houve o término do salmo anterior, e é iniciado um salmo independente, ou mais precisamente, um novo cântico é apresentado;

b)      O gênero literário do Salmo 124 é classificado como sendo : “Cântico de Ação de Graças ou Louvores Declarativos” (Gottwald, 1988, 490), ou como “Cântico de Ação de Graças Coletivo (Sellin & Fohrer, 1977, 427), ao passo que o Salmo 123 é classificado pertencendo à categoria de lamentação e o Salmo 125 pertence ao gênero literário de confiança. Desta forma, os diferentes gêneros literários apontam para unidades independentes entre si, apesar de pertencerem a uma mesma coletânea de hinos;

c)      Como o gênero literário é diferente, logo o assunto presente no Salmo 124 é diferente do precedente, bem como diferente do posterior;

d)      Percebemos no Salmo em estudo uma marca terminal importante (Da Silva,2000, 73). Esta função terminal descreve o sentimento de libertação, decorrente da situação descrita pelo salmista no texto;

e)      O Salmo 125 é iniciado por outra fórmula introdutória : “Cântico das Subidas”, sendo um indício claro que o Salmo 124 foi terminado.

Por estas características marcantes podemos afirmar que o Salmo em estudo é uma unidade de sentido pleno.

 

4. Estrutura do Texto

4.1 A Segmentação do Salmo 124

tAl[]M;h; ryvi 1

dos degraus cântico

Wnl' hy"h'v, hw"hy> yleWl.

junto a nós que esteve Javé Se não fosse

`laer'f.yI an"-rm;ayO

Israel assim dissei

Wnl' hy"h'v, hw"hy> yleWl. 2

junto a nós que esteve Javé Se não fosse

`~d'a' Wnyle[ ~WqB. a

homens contra nós ao se levantarem

W[l'B. ~yYIx; yz:a] 3 b

teriam nos engolidos vivos então

`WnB' ~P'a; tArx]B;

sobre nóse sua ira ardendo a’

WnWpj'v. ~yIM;h; yz:a] 4 b’

teriam nos levado as águas então

Wnvep.n:-l[; rb;[' hl'x.n: c

o nosso ser sobre atravessaria sua torrente

Wnvep.n:-l[; rb;[' yz:a] 5 c’

o nosso ser sobre atravessaria então

`~ynIAdyZEh ~yIM;h; b’

; impetuosas as águas

Wnn"t'n> aL{v, hw"hy> %WrB' 6

nos entregou pois não Javé Louvado seja

`~h,yNEvil. @r,j, a

aos seus dentes (por) presa

hj'l.m.nI rAPciK. Wnvep.n: 7 b

escapou como pássaro nossa vida

~yviq.Ay xP;mi b'

que foi armada da armadilha

B'v.nI xP;h; b’’

foi quebrado o laço

`Wnj.l'm.nI Wnx.n:a]w: b’

escapamos e nós

hw"hy> ~veB. Wnrez>[, 8

Javé (está) no nome de o nosso auxílio

`#r,a'w"" ~yIm;v' hfe[o

e a terra céu que fez

Para uma facilitação do entendimento da segmentação do texto, apresentaremos uma seção somente em português, observando a segmentação existente no hebraico analisado.

1 Cântico dos degraus

Se não fosse Javé

que esteve do nosso lado :

Assim disse Israel

2 Se não fosse Javé

que esteve do nosso lado

a quando os homens levantaram-se contra nós

3 b então teriam nos engolido vivos

a’ ardendo sua ira sobre nós.

4 a então as águas teriam nos levado

b sua torrente atravessaria o nosso ser

5 b’então cobriria todo o nosso ser

a as águas impetuosas.

6 Louvado seja Javé

a pois não nos entregou (por) presa aos seus dentes

7 b nossa vida escapou como pássaro da armadilha

b’ o laço foi quebrado

a’ e nós escapamos.

8 Nosso auxílio está no nome de Javé

que fez céu e a terra

Através da segmentação do texto em análise, pudemos observar a ocorrência de vários paralelismos. Sendo os principais :

1)      Os v. 2 a 4 apresenta um paralelismo parabólico pois apresenta a situação de perigo, o qual está representada pelos homens que se levantaram contra Israel, fazendo a comparação da situação com as águas em grande volume,

2)      Os v. 5 a 7 também apresenta um paralelismo parabólico, agora descreve a libertação de Javé em meio aos inimigos, usando a comparação com a armadilha que fora armada para apanhar pássaros. Podemos também observar a presença de um paralelismo antitético formado pelos v. 6 e 7.

Esta presença de paralelismos nos ajuda a constatar que a construção do texto é em linguagem poética, estilo bem presente na literatura hebraica.

Além da presença dos paralelismos, a própria classificação do livro dos Salmos nos ajuda nesta definição, porque como sabemos que o Saltério é um conjunto de hinos tendo o seu uso principalmente no culto. Por ser hino tem uma linguagem poética própria extraída da vida cotidiana.

O texto massorético também é disposto em forma poética.

Esta também é a opinião seguida pelas edições comerciais tais como : Bíblia de Jerusalém e a Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB).

Partindo da consideração que o Saltério é uma coleção tendo o seu uso principalmente no ambiente cultual, e os participantes deste culto são pessoas que fazem parte de uma comunidade ritual comum, os salmos são produto “dos múltiplos aspectos assumidos pela vida religiosa de Israel no volver dos séculos (Sellin & Fohrer, 1977, 376).

Dentro da coleção maior (Saltério), há subdivisões específicas de acordo com características e estilos comuns presentes nos salmos, formando assim um catálogo (Sellin & Fohrer, 1977, 377). Desta forma o Sl 124 em uma classificação mais restrita e contextual de sua formação está em um conjunto menor classificada pelos estudiosos como sendo : Cânticos de Romagem ou Cânticos dos Degraus.

Ainda dentro deste subgrupo classificado por Cântico dos Degraus, há a classificação por gêneros literários especificos de cada Salmo.

Nesta classificação mais pormenorizada o Salmo 124 é classificado como Cântico de Ação de Graças Coletivo (Sellin & Fohrer, 1977, 427) ou Cântico de Ação de Graças Comunais ou Louvores Declarativos (Gottwald, 1988, 492).

O cântico de ação de graças coletivo ou até mesmo individual, apresenta marcas próprias, apresentando a seguinte estrutura básica (Sellin & Fohrer,1977, 387-8) :

a)      introdução é anunciado no cântico o motivo pertinente do agradecimento, bem como comunicando o seu propósito;

b)      narrativa é a parte principal do cântico, pois nela se apresenta as situações que motivaram o agradecimento, frente a uma situação de extrema tristeza e lamento.

c)      conclusão retoma o motivo de louvor apresentado na introdução.

Assim no texto em estudo pudemos verificar a seguinte estrutura textual:

i-                    Introdução

a)      Louvor em reconhecimento à presença de Javé v. 1 e 2a

ii-                  Narrativa

b)                                            Descrição de situação do passado, em meio aos inimigos v.2b a 7

b.1) um perigo iminente v. 2b a 3

b.2) um efeito destruidor – comparação com água torrencial v.4 e 5

b.3) uma cilada montada – comparação com “arapuca” v. 6 e 7

b.4) Em meio aos inimigos Javé Liberta v. 6 e 7

iii) Conclusão

a)                                           Louvor pelo auxílio recebido de Javé v. 8

Como resultado da observação na segmentação do texto, o que dá unidade e coesão para o texto é o fato que cada nova unidade textual (i,ii,iii) é iniciada com Javé, e também pudemos observar que todos os versículos são marcados pela presença do sufixo (Wn)) de primeira pessoa plural.

 

5. Aspectos Contextuais

O Sitz Im Leben expressão aplicada por H. Gunkel nos estudos bíblicos é caracterizada por uma descrição do contexto vital que originou um gênero utilizado pelos escritos bíblicos, ou seja, uma situação de vida que teve como principal função e utilidade moldar determinadas formas de se escrever a bíblia.

Desta forma o contexto de vida que gerou o Sl 124 está na própria coleção deste Salmo, pois o texto em estudo é classificado como sendo cântico dos degraus, ou cântico de peregrinação.

Esta peregrinação, a qual a coleção de salmos faz referência, pertence a viagem rumo ao Templo em Jerusalém (Raguer, 1998, 31 ), ou foi associado a “ritos de peregrinos” (Gottwald, 1988, 497).

A datação do Salmo 124 é enquadrada no período pós-exílico, principalmente pela sua forma redacional, bem como pelo seu estilo (Schokel, 1998, 1480 ).

As peregrinações ao Templo somente faz sentido quando o enquadramos dentro da sua “restauração ”, porque no período chamado exílico o povo não tinha um templo, pois este havia sido parcialmente destruído (Gottwald, 1988, 487).

Gottwald é um dos poucos estudiosos que faz uma datação mais precisa do livro de Salmos e sugerindo uma redação final por volta de 325 a 250 aC..

A autoria do livro de Salmos atribuída ao Rei Davi deve ser vista com muito cuidado. Os estudiosos geralmente atribuem 73 salmos a Davi. Outros salmos de composição desconhecida são atribuídos a Davi pela força da tradição davídica, bem como por causa da “circunstância de sua redação” coincidir com as experiências do Rei de Israel (Robert & Feuillet, 1967, 150).

O título introdutório (lê David) tem sentido duplo, principalmente porque descobriu-se textos ugaríticos que empregam o mesmo cabeçalho nos poemas com semelhanças com o livro de Salmos, tendo como principal objetivo não descrever a autoria do poema, mas sim fazer uma relação com o personagem principal do poema (Sellin & Fohrer, 1977, 410).

Desta forma os títulos não ajudam quanto a autoria do Salmos, sendo que esta suspeita autoral é realçada pelo fato do título autoral ser uma inserção posterior como foi visto no capítulo da crítica textual.

A comunidade pós-exílica teve um papel importante em relação ao livro de Salmos, porque não apenas compôs alguns dos salmos, bem como conservou estes cânticos dando uma redação final aos salmos já conhecidos. Neste caso a comunidade pós-exílico foi de fundamental importância para a “seleção de cânticos, que é fruto de vários séculos” (Sellin & Fohrer, 1977, 412).

Se não foi o Rei Davi que escreveu o Salmo 124, então quem foi o autor?

Na verdade a identidade do autor deste salmo é desconhecida. Apesar de não podermos falar precisamente a respeito deste autor, podemos estabelecer algumas características básicas acerca deste autor anônimo.

A coleção conhecida como “cântico dos degraus” que é formada pelos Salmos 120 a 134, pertence a “diversas famílias” (Raguer,1998,31). Geralmente são escritos destacados pela sua brevidade do poema, tendo uma composição bem simples, mas que expressa o sentimento presente na comunidade pós-exílica.

Apesar da linguagem ser geralmente expressa na 1ª pessoa do singular, são poemas que representam um coletivo.

Como foi percebido acima, apesar da datação da redação do Livro de Salmos ser definida por volta de 325 a 250 aC., o texto provavelmente “nasceu” antes desta redação final. Como temos o conhecimento do contexto vivencial, pertencendo às peregrinações ao Templo, provavelmente o Salmo 124 teve origem em um período pós-exílico quando o sistema cultual reconstruído já reinstalado em Judá.

O período histórico compreendido no livro de Salmos foi um período importante dentro do ponto de vista intelectual, pois fomentou a redação de diversas textos dos livros do Antigo Testamento.

O período pós-exílico é de poucas informações históricas concretas (Gottwald, 1988, 389), mas há indícios que o templo foi reconstruído por volta de 520 a 515 aC. (Gottwald, 1988, 404).

O culto no Templo reconstruído consistia em sacrifícios e orações em favor do rei (Bright, 1978, 504). Quando o Templo foi finalmente reconstruído, apesar de ser inferior esteticamente ao do Rei Salomão, foi um momento de extrema alegria (Bright, 1978, 504), pois além de verem um sonho realizado, relembrava a libertação do Império Babilônico sob o comando de Ciro, o persa.

Para entendermos melhor este sentimento de alegria presente nos corações da comunidade reunida em Jerusalém, devemos apresentar alguns dados a respeito da situação dos judeus sob o jugo babilônico.

A invasão em Judá se deu por volta de 587 aC., a qual parte da população foi deportada para a Babilônia. Nesta invasão cidades foram destruídas e devastadas, sendo que “em muitos casos para não serem nunca mais reconstruídas” (Bright, 1978, 464).

Como resultado direto deste confronto contra a Babilônia; muitos morreram de fome, de doenças, executados; ainda outros “procuravam salvar suas vida fugindo” (Bright, 1978, 464), tendo uma parte dirigindo-se ao Egito (Donner, 1997, 434).

De acordo com J. Bright a população em Judá foi reduzida drasticamente de 250 mil para 20 mil depois do retorno da Babilônia, mas era de camada rural, “privadas de lideranças urbanas e incapacitada de agir politicamente” (Donner, 1997, 433).

Além dos tributos que a Palestina teve de pagar a Babilônia, a corvéia era maciçamente utilizada (Donner, 1997, 440). Além disto os edomitas lucravam às custas de Judá (Donner, 1997, 440). Diante disso tudo, a população massacrada tinha uma vida dura “mais dura do que antes” (Donner, 1997, 440).

Durante o período exílico, apesar da comunidade que restou ir ao Templo que estava em ruínas; não tinham uma liderança religiosa. Desta forma sonhavam com o momento da restauração do Templo.

Os que foram enviados para a Babilônia pertenciam e parte nobre da sociedade de Judá, apesar da humilhação a qual foram submetidos em meio a um povo pagão, tinham uma “certa liberdade”, pois viviam em colonias especiais, podendo se dedicar a agricultura, construir casas, enfim ganhar o seu próprio sustento (Bright, 1978, 474), sendo até mesmo permitido a posse de escravos (Donner, 1997, 436) .

Apesar de tudo os exilados sonhavam com a restauração política de Judá , não aceitavam aquela situação em definitivo, pois eram “peregrinos em terra estrangeira” (Bright, 1978, 474), basicamente os seus sofrimentos eram mais interiores, era mais relativo a distância de suas terra do que pela condição de vida na Babilônia (Donner, 1997, 435), o aspecto positivo deste período foi de que apesar da condição de vida dura e miséria e opressão que o judeu estava submetido, foi um tempo de mudança e reflexão ( Donner, 1997, 442) .

Com a morte de Nabucodonosor a Babilônia mergulhou em uma crise política profunda, tendo várias sucessões do reinado, vivendo momentos de instabilidade interna, sendo um ótimo momento para a invasão persa que se deu em definitivo em 539 aC., sob o comando de Ciro.

Em 538 aC., Ciro redige um decreto autorizando a reconstrução da comunidade judaica, bem como o culto na Palestina (Bright, 1978, 489).

Como podemos observar a comunidade na Babilônia sonhava com a restauração política e social em Judá. A comunidade que restou em Judá também sonhava, só que com o Templo reconstruído.

Este projeto de reconstrução do Templo não foi uma execução pacífica, pois Es 4, 1-5 narra a existência de conflitos neste projeto (Pixley, 2004, 92).

Desta forma, podemos dizer que o período exílico fomentou na comunidade judaica a esperança de dias melhores, esperança de restauração social, política e religiosa; esperança da reconstrução da comunidade devastada e destruída.

O povo que fora subjugado, agora tinha esperanças de mudanças à sua volta, esta é a visão do Sl 124, o qual o escritor relata que diante dos inimigos o povo foi liberto, escaparam, fugiram.

Sob Ciro, o persa, o povo “cativo” retornou. No campo religioso a fé na restauração da comunidade, ainda conferia coragem e resistência diante os açoites dos dominadores.

O Salmo 124 foi de extrema necessidade e importância porque sinalizou a paciência da tribulação e confiança na libertação divina (Bright, 1978, 599).

 

5.1 Análise Sociológica

A comunidade pós-exílica foi sobretudo caracterizada pelo fim da monarquia em Israel, daí por diante foi parte da integração dos impérios dominadores tais como : persa, ptolomeus e selêucidas.

Neste período da história de Israel os clãs e anciãos eram aqueles que “representavam o povo junto às autoridades” (Vaux, 2003, 124), neste período não há noção de Estado em Israel. A família em Judá passava por momentos difíceis, principalmente porque já não tinha voz para corrigir as faltas presentes no âmbito familiar, pois fora transferida a responsabilidade aos Anciãos da cidade (Vaux, 2003, 45). Também era comum a ocorrência de casamentos entre judeus e estrangeiros, prática desenvolvida no exílio (Gottwald, 1988, 406).

Por estas causas o sentimento de solidariedade na família se definha, sendo que o indivíduo se afasta progressivamente de sua família, a vingança é limitada à prática “estatal” e cidades de refúgio são construídas para tratar do problema da vingança. A noção do go’el que tem o sentido de resgatador, protetor que pertencia à família, é distanciado da prática social, sendo transferido a Javé, pois quando a família falha não podemos contar com mais ninguém senão Javé o Vingador, Salvador do seu povo.

No limite da autonomia religiosa bem como cultural que ainda se conservava, os judeus pertenciam a uma comunidade religiosa sob o governo sacerdotal.

Desta forma, a Monarquia desapareceu do cenário político em Judá. A principal forma do governo persa se dava em administrar as regiões em satrápias, formando cada uma delas uma província. Desta forma a liderança judaica se dava através de responsabilidades delegadas a governadores e sacerdotes (Gottwald, 1988, 402), sendo que o aparato real foi transferido aos sumos sacerdotes, como sendo o chefe da nação, o representante diante de Deus (Vaux, 2003, 438).

Este desenvolvimento sacerdotal “real” se deu gradativamente, chegando até o ponto de “assumir funções administrativas” (Pixley, 2004, 105).

Desta forma, o Templo assume uma atividade daqueles que estiveram exilados, com o apoio direto do Império Persa, neste período então a pureza racial era acima de tudo uma arma utilizada pelos “exilados nobres”.

O período pós-exílico ficou caracterizado com sendo um período sob o qual o império participava com altos investimentos financeiros, mas o Templo além destas “generosas contribuições” também sobrevivia graças às contribuições voluntárias e “oferendas votivas, o resto ia para os sacerdotes” (Vaux, 2003, 441).

Além dos sacerdotes a cidade era formada por “cidadãos” Pixley, 2004, 104), homens livres que tinha por incumbência manter a dominação do império, também eram chamados de “notáveis” ou nobres (Vaux, 2003, 94), tendo privilégios, bem como direitos transmitidos aos seus descendentes afim de manter a dominação. Neste sentido os notáveis, ou os nobres como diz Vaux, ou cidadãos como denomina Pixley fazem parte da tão conhecida classe social rica, que não mediam esforços para manter os seus lucros, apoderando-se dos pobres “em emboscadas de aldeias” (Gottwald, 1988, 499).

Ainda outros, pelo modelo grego adotado foram recrutados para o exercício militar, fazendo assim parte da ditosa nobreza (Vaux, 2003, 94).

Além dos chamados cidadãos, a sociedade era formada de assalariados, homens livres contratados para trabalharem por tempo ajustado, bem como com direito a pagamento. Geralmente esta trabalho era exercido por estrangeiros residentes na Palestina ou estrangeiros em passagem pela região.

Também havia escravos chamados domésticos (Pixley,2004,104), geralmente estrangeiros dedicados a produtividade da cidade, mas não podia ter voz na sociedade.

Desta forma, os verdadeiros habitantes daquela sociedade eram aqueles que viviam na cidade, que mantinham os escravos e diaristas em sua submissão.

Uma parte da comunidade viva em descontentamento porque se viam empobrecidas pelos altos tributos, transformando assim a terra em uma mercadoria para pagar as dívidas, até mesmo em objeto de confisco pelos ricos (Gottwald, 1978, 407).

Ainda como fonte de renda, no período pós-exílico os artesãos se organizaram em “corporações” (Vaux 2003, 102), de acordo com as famílias das artes adotadas, tendo até mesmo chegado ao ponto de organizarem-se em uma regulamentação própria.

Desta forma os pobres eram “indivíduos indefesos precisamente por estar isolados” (Vaux, 2993, 98) da sociedade, sendo comum a idéia que eram sofredores por causa do seu pecado cometido contra Javé.

A espiritualidade desenvolvida a partir dos textos pós-exílicos e principalmente pelo saltério, caracteriza-se sobretudo pela luta em mostrar que Javé também está ao lado do pobre e oprimido, não os abandonou ao relento.

Como em toda luta social podemos dizer que “tensões, crises, e rupturas na ordem social...atormentavam toda a comunidade” (Gottwald, 1988, 498), principalmente do conflito de classes, a qual “o enfrentamento do povo humilde do campo contra os exilados que voltaram a instalar em Jerusalém, durante a dominação persa. Voltavam com a proteção do império” (Pixley, 2004, 101).

Como resultado desta política geradora de pobres e endividados estão pontuados os doentes, as várias formas de injustiças sociais, bem como a degradação ecológica (Gottwald, 1988, 501).

 

5.2 Crítica Literária

O Salmo 124 nos parece ser um texto coeso pelas seguintes considerações :

1.      Os verbos que aparecem ao longo do texto, geralmente estão na conjugação da 3ª pessoa, para isso utiliza o singular como o plural;

2.      Como foi exposto nos aspectos formais, o sufixo (Wn)) funciona como elemento que fornece a coesão textual perpassado todo o Salmo;

3.      O gênero literário utilizado pelo autor tem partes bem definidas, e caso o Salmo tivesse sofrido acréscimos ou supressões, este fato poderia alterar a forma do poema, bem como o gênero literário;

Desta forma, a perícope estudada tem indícios que apontam para um sentido bem coeso, tendo como personagem central pessoas que estavam vivendo uma situação de extrema servidão, sendo liberto por Javé, essa libertação é motivo para expressar ações de graças no âmbito coletivo, rumo ao Templo.

 

5.3 Crítica da Tradição

A perícope objeto de nosso estudo, possivelmente foi originada por algum representante de família, este fato pode ser observado melhor quando de posse dos Cânticos de Romagem percebemos uma linguagem própria do contexto familiar como por exemplo : o contexto de casa expresso no Sl 123; o trabalho no campo descrito no Sl 126; a edificação da casa no Sl 127; o convivência em família no Sl 128; a angústia pelo trabalho agrícola que não deu sua colheita no Sl 129; a criança desmamada no Sl 131; ensinamento da aliança aos filhos no Sl 132; a união familiar no Sl 133.

Este salmista representante do grupo familiar, parte da tradição do Templo que é típico da tradição sacerdotal pré exílica que enfatizava entre outras coisas que Javé estava centralizado no Templo para assim autenticar a monarquia. Essa tradição sacerdotal é abandonada pelo autor da perícope, assumindo um novo pensamento : Javé está presente ao lado daqueles que invocam o Seu Nome.

Uma outra tradição presente na perícope é do julgamento de causa que no período pré exílico pertencia ao aparelho ideológico da monarquia. O autor da perícope possivelmente analisou como o tribunal estava pervertido e contaminado pelas práticas abusivas principalmente se colocando ao lado dos poderosos que subornavam os juízes.

Apesar deste favorecimento ilícito Javé defendeu a causa da família, apontando assim para a solidariedade em família como caminho possível para resistir um sistema tribunal perverso.

 

5.4 Crítica da Redação

O livro de Salmos foi editado em divisões, sendo no total 5 livros. O livro foi emoldurado com expressões de louvor – doxologia-, estando presente nos seguintes capítulos : 1, 42, 73, 90, 107 e o 150 como expressão do louvor final.

O Salmo 1 é uma introdução a todo o livro, bem como o 150 apresenta uma doxologia final.

A divisão do livro de Salmos em cinco partes foi intenção redatorial para assemelhar o livro com o Pentateuco, a torah (Schmidt, 2002, 286).

Por causa do extenso tamanho do livro de Salmos iremos concentrar a nossa atenção no V livro que compreende os capítulos 107 a 150.

Nos parece que o V livro de Salmos foi redigido para apresentar, bem como descrever quem são aqueles denominados redimidos do Senhor (Sl 107). Em contraposição apresenta o julgamento dos gentios (Sl 149). Esta divisão está presente no sumário apresentado por Weiser (Weiser, 1994, 666).

Desta forma, a função principal do Salmo 124 no livro todo, seria de descrever a situação que os redimidos de Javé estiveram submetidos e foram libertos por Javé, bem como apontar para o fato que o julgamento de Javé já fora iniciado.

Para isso, o salmista utiliza uma linguagem simples, própria da comunidade popular, buscando nas imagens da tradição judaica subsídios para aprofundar aspectos importantes que possivelmente não necessitavam de maiores explicações.

O estilo próprio do autor é como sugere Schokel são citações de memória, para assim deixar o leitor à vontade, “em casa” (Schokel, 1998, 1482).

 

6. Análise de Conteúdo

Esta seção da exegese se preocupa com o aspecto gramatical da língua, - no caso do nosso estudo a hebraica -, para isso estudaremos as seguintes palavras :

a1) hy"h'v como podemos verificar no estudo da classificação gramatical v é uma partícula relativa, segundo Schökel é equivalente a rvea} , sendo usado mais freqüentemente a partir do Sl 122. (Schökel, 1997, 650). rvea} normalmente é utilizado para alterar o sentido de uma unidade qualquer, tendo uma relação estreita com a palavra precedente, no nosso caso, hw"hy> (Lambdin, 2003, 80). Desta forma Javé não somente esteve junto à comunidade do salmista, mas quer indicar especificamente “aquele que” esteve junto da comunidade em um momento singular, específico.

a2) ~yYIx como fizemos referência na análise gramatical é um adjetivo plural. Neste caso, este adjetivo foi utilizado pelo salmista para assumir uma função predicativa, tendo assim a intenção de se relacionar a intensidade da ira dos homens que se levantaram sobre aqueles que são denominados “nós”, sendo assim uma grande ameaça à vida.

a3) Wnvep.n: segundo a nossa classificação gramatical, é um substantivo feminino singular, seguido de sufixo de 3a pessoa comum singular. Normalmente é traduzido como respiração, alento, garganta, pescoço, mas também pode ser traduzido como sendo alma como princípio de vida. Desta forma Wnvep.n: está intimamente vinculada com a idéia de salvação, neste contexto a melhor tradução seria vida (Jenni & Westermann, 1985, 105). Outro uso da palavra presente em Pv 1:12 apresenta a possibilidade de ser tragado vivo, lançado no Sheol fruto da tradição presente em Nm 16:33.

Esta parte da exegese, concentra-se no estudo das palavras diante dos vários significados que ocorrem na Bíblia como um todo, em contextos diferentes, ou semelhantes da perícope estudada.

As palavras são as seguintes :

b1) ~d'a' geralmente é traduzida como homem, tendo o “significado genérico ou específico, coletivo” (Schökel, 1997, 27), apresentando assim um “significado coletivo” (Jenni & Westermann, 1978, 92). O vocabulário é utilizado para se destacar o fato que o homem é um ser criado, desta forma é um ser que aparece e comporta-se em diferentes relacionamentos sejam eles : familiar, politicamente, convivência com a sociedade como um todo (Jenni & Westermann, 1978, 96). Desta forma o homem não existe por si mesmo, mas sua existência é diante da presença de Deus ( Jeeni & Westermann, 1978, 110), um ser limitado.

b2) hw"hy> é utilizado para designar o nome de Javé, como tendo significado para a autorevelação divina, bem como a relação pessoal entre Javé e seu povo (Jenni & Westermann, 1978, 974). Aparece mais ou menos 210 vezes em Salmos, dentro do gênero de oração (Jenni & Westermann, 1978, 974). Quando é usado nos gêneros de lamentação ou ação de graças, está dentro do contexto do indivíduo que se preocupa diante da ameaça de morte à sua frente (Schmidt, 2004, 434), ou mais precisamente de ser entregue ao Sheol como significando o mundo inferior.

b3) ~WqßB. É um verbo de ação que tem um significado em associação com a preposição b levantar-se contra (Schökel, 1997, 576), além deste sentido é significativa a posição dos estudiosos Jenni & Westermann ao sugerir que a preposição sugere um vocabulário judicial, determinando assim uma acusação diante do tribunal (Jenni & Westermann, 1978, 1985).

b4) WnW[l'B tem o significado de devorar, engolir e está associado com o adjetivo plural vivos. Em duas passagens no AT, Javé fez a terra abrir-se engolindo assim, grupos de pessoas ainda vivas sendo elas : Ex 15:12 e Nm 16:30, aludindo assim ao Sheol.

b5) rb;[' tem o significado de “um corpo móvel atravessa um espaço fixo” (Schökel, 1997, 476). Desta forma o sentido pode fazer referência tanto a quebra de um direito legal seja ele transgredir, violar ou quebrar (Shökel, 1997, 476), quanto pode também ser usado em um sentido mais específico de conflito armado significando assim atravessar com a lança (Jenni & Westermann, 1985, 265).

b6) ~ynIAdyZE tem o significado de orgulhosas, referindo-se às águas representa um problema avassalador, deve-se notar que a palavra como adjetivo ocorre somente nesta passagem em todo o Antigo Testamento (Harris, 2001, 387), tendo o objetivo de descrever alguém lançando um poder contra outra pessoa até o ponto de matá-la.

b7) @r,j, significa basicamente vítima, ou mais precisamente “apanhar uma criatura por meio da rapinagem, dilacerar a carne e consumi-la” (Harris, 2001, 579), sendo uma forma para ilustrar conquistas e destruições de pessoas.

b8) ~h,yNEvil. a palavra vem seguida da preposição l, tendo significado de aos seus dentes, um uso interessante da mesma palavra se encontra em Sl 120:4 no contexto de afiar espadas e flechas (Harris, 2001, 1594).

b9) hj'l.m tem o sentido básico de ser libertado, fugir, usado geralmente para se destacar o livramento de uma ameaça da morte (Harris, 2001, 840), sendo em alguns lugares a raiz verbal é substituta para expressar o significado teológico de Sheol (Jenni & Westermann, 1978, 1222).

6.1 Análise de Detalhes

Para melhor compreender a perícope objeto do nosso estudo, se faz necessário atentar para alguns detalhes de crucial importância.

A perícope inicia com uma chamada ao louvor, sendo expresso em uma fórmula litúrgica, o qual o oficiante entrava no lugar de culto da comunidade reunida exclusivamente para este propósito. Desta forma o convite é respondido pela comunidade em forma de cântico (Schökel, 1998, 1411)

A primeira pergunta que fazemos ao ler o Salmo 124 talvez seja : quem são estes adversários descritos no v.1.

Como foi observado na Análise Lexicográfica ~d'a' é uma palavra utilizada para expressar uma coletividade em suas diversas formas de relacionamentos.

Como foi exposto na Análise Sociológica, a dominação social era patrocinada pelo Império Persa que mantinha o seu poder nos territórios conquistados através das satrápias, sendo que utilizavam nesta dominação os chamados notáveis, a nata da sociedade que oprimia os dominados em busca de aumentar os seus lucros, bem como “compravam” aqueles que deveriam exercer a defesa do direito social.

Esta linguagem de direito podemos ver claramente na perícope estudada, porque como foi exposto na Análise de Conteúdo a palavra ~WqßB. tem um vínculo judiciário, o qual os notáveis subornavam os Anciãos para manipular as suas vítimas.

Como o Cântico de Romagem ou Peregrinação foi escrito no ambiente familiar, as vítimas não poderiam ser outro senão as famílias abandonadas, perseguidas por estes “inimigos” hostis, sendo reduzida a situação de pobreza. Assim, foram vítimas dos homens, vítimas dos seus inimigos (Kraus, 1985, 203), sendo reduzidas a situação de desamparo, miséria, opressão, subjugado.

Além desta visão de extrema opressão, o desamparo também é percebido nas entrelinhas da perícope, porque além desta situação de miséria, o direito de resgate foi deixado de lado, o socorro à família em necessidade, pelo parente mais próximo foi desprezado. Isto significa que os vínculos familiares estavam quebrados.

Esta situação de opressão e injustiça social é descrita através de três metáforas :

1. Um perigo iminente ( v. 2b e 3) : como observamos na análise de conteúdo há claros indícios quanto a tradição do Sheol, ou seja, o mundo dos mortos estava aguardando as vítimas. É claro aqui que o Sheol é uma descrição metafórica de uma sociedade sem vida, caótica, inabitável (Martin-Achard, 2005, 55).

2.      Um efeito destruidor ( v. 4 e 5 ) : nesta metáfora pode-se observar que a situação caótica dos opressores, que não mediam esforços para se voltar contra as suas vítimas. Mas como foi exposto na Análise Lexicográfica, há referências em outros contextos que também sugerem a imagem de guerra, o qual as lanças atravessam as vítimas. Seja como for as duas interpretações são possíveis, destacando assim a fúria dos inimigos, dos adversários, fazendo alusão a uma conquista irresistível e implacável.

3.      Uma cilada montada ( v. 6 e 7 ) : a metáfora faz alusão a uma “arapuca” ou armadilha que fora montada para capturar pássaros, para assim fazer uso daquilo que as vítimas poderiam oferecer. Mas em meio aos poderes humanos, às tentativas da opressão humana, Javé age em favor do oprimido, quebrando o laço, desfazendo assim aquela armadilha. Desta forma, diante da fragilidade humana Javé julga retamente a causa e confere liberdade aos que nEle confiam.

Como resultado desta libertação concedida por Javé, mesmo não sabendo muita coisa historicamente a respeito desse evento libertador, o salmista exalta o nome de Javé, como reconhecimento da sua ação : Louvado seja Javé porque nos libertou, não fomos entregues nas mãos de nossos opressores, nosso auxílio está no Nome de Javé.

Em outras palavras o poder hostil dos homens não é nada diante do poder de Javé.

Diante dos homens que se levantam contra os desfavorecidos com as suas falsas acusações, Javé defende a causa diante do tribunal judicial, Javé se apresenta como o g’oel – o resgatador -, aquele que resgata, “liberta o ser humano da situação de aflição” (Schmidt, 2004, 76), unindo assim suas vozes à de Jó : “eu sei que o meu g’oel vive (Jó 19:25).

O resgate é encontrado em Javé trazendo ajuda na injustiça, amparo aos desamparados, salvação aos oprimidos, restitui o direito do pobre (Kraus, 1985, 206), livrou do mundo dos mortos.

A história humana bem como a criação pertencem a Javé.

 

6.2 Análise Teológica

Está claro no Salmo 124 que o contexto é de conflito. O salmista reconhece a presença de Javé em meio a esses conflitos como essencial à sua sobrevivência, podemos perceber em outros textos o mesmo reconhecimento tais como (Sl 56,9; Sl 118,10-12).

Mas além deste reconhecimento triunfal da presença de Javé, também podemos perceber no livro de Salmos situações de extremo desespero em vista do povo estar acuado. Esses textos são : Sl 44,9-14; Sl 74,10-11; Sl 108, 11-13.

Me parece que a intenção do Salmo 124 é retomar a chamada teologia da retribuição tão vigente em sua época, que praticamente “pregava” a prosperidade do povo justo em todos os sentidos possíveis, e a desgraça divina que estava entregue o ímpio, o destituído da presença de Deus.

Em outras palavras, o justo não sofria porque Deus estava ao seu lado, já o pecador não poderia se contentar a não ser sofrer nas mãos de um deus irado.

Me parece que o Salmista corrige esta deficiência, e declara no Salmo 124 que a presença de Deus não exime o sofrimento, se une a voz profética declarando que Javé É o Senhor da história da humanidade, não sendo um simples espectador na história humana.

Para mostrar a voracidade dos inimigos que a comunidade enfrentou, usa alguns elementos comuns da tradição judaica :

1.      A tradição do Sheol engolindo-os ainda vivos (Pv 1,12; Nm 16,33);

2.      As ondas como inimigos mortais ( Gn 6; Sl 18,5);

3.      Diante dos inimigos vorazes, Javé concede a libertação (Ex 13);

4.      A libertação concedida é figurada com escape da armadilha (Pv 6,5);

5.      Por fim Javé o libertador, é o Criador de todas as coisas (Gn 1 e 2).

De acordo com as tradições localizadas no Salmo 124, nos parece que a intenção do salmista, além de corrigir a teologia da retribuição presente em sua época, focalizando que Javé está atuando e presente na história da humanidade, criando – e se necessário for recriando-, momentos que gerem esperança nos corações da humanidade desgastada.

Assim como pudemos observar, na época pós-exílica havia uma forte influência do pensamento da chamada “teologia da retribuição”; sendo desmascarada pelo salmista, pois segundo foi exposto na Análise de Detalhes os homens que na perícope eram os representantes da opressão, os quais pervertiam o direito, bem como subornavam os tribunais, foram alvos do julgamento de Javé. Desta forma, Javé se Revelou mostrando-se favorável à causa das vítimas, defendeu o direito do indefeso, do oprimido, mostrando-se favorável as situações que gerem vida, pois Ele é a Fonte da Vida.

Desta forma a vida é resultado da ação de Javé manifesta na criação dos céus e da terra, bem como libertando o seu povo (Kraus, 1985, 85). Como reconhecimento deste ato libertador de Javé, os peregrinos entoam cânticos de louvor e exaltação à caminho do Templo. Assim Javé é o Deus vivo que está presente e atuante na história humana, ouvindo os clamores do seu povo, agindo em favor do homem oprimido, humilhado pelos poderosos deste mundo.

Assim a idéia do Sheol está apresentado de uma forma bem sutil no Salmo 124, pois no pensamento judaico o “reino dos mortos” é uma residência provisória o qual se aguarda a ressurreição e o juízo (Martin-Achard, 2005, 61), lugar que assegura a separação entre justos, bem como a sua felicidade; e pecadores reservando o sofrimento. Desta forma o Sheol é um lugar “onde não há lembrança de Deus” (Brown, 1989, 431), estando até mesmo distante da presença de Javé (Schmidt, 2003, 458).

Desta forma Javé é a origem da vida; é na vida humana que Javé demonstra que está próximo revelando-se na história humana. Assim quem deseja participar da vida deve se aproximar de Javé ( Kraus, 1985, 219) e suplicar a sua assistência.

Assim Javé não é somente a origem da vida, mas seu domínio se estende até mesmo ao Sheol, libertando do mundo dos mortos. Todas as coisas estão submetidas à soberania de Javé; assim aqueles que cantam como expressão comunitária de ações de graças, testemunham aos atos libertadores de Javé.

Desta forma, mesmo não escrevendo claramente a respeito da liberdade, ela está implícita na perícope, pois não há vida plena de significado sem liberdade (Westermann, 2005, 180).

A liberdade não é vista somente sob o ângulo da morte, mas também é vista dentro da opressão que aquelas famílias estavam submetidas, principalmente pelo direito que fora extorquido. Quando falamos sobre liberdade, uma coisa que os judeus conheciam bem de perto era situações pelas quais se viam tolhido desta liberdade.

Javé para Israel significava muito mais do que um mero deus, mas era aquela que havia liberto o povo da escravidão do Egito (Pixley, 2004, 10). Pensar em um sistema religioso opressor seria contra-senso; pensar em uma sociedade opressora seria caminhar contra a direção apontada por Javé no evento do êxodo.

Por fim, porque Javé é Senhor Soberano da História o salmista conclama a toda a comunidade reunida a exaltar e glorificar o Nome de Javé. Ele é o Senhor de todas as criaturas, Éo Senhor de Israel, por isso o auxílio está em suas mãos; a confiança em Javé é justificada “pelo seu poder Criador” (Weiser, 1994, 589).

A tradição teológica da criação é forte entre os juedeus, principalmente porque a terra segundo o relato de Gênesis é visto como sendo “um conjunto de água e terra sem possibilidades para a vida” (Von Allmen, 1972, 76). Assim esta terra sem qualquer perspectiva de vida é tornada em algo sob o qual é “possível a vida onde antes não era” (Von Allmen, 1972, 76).

Javé é o Deus que liberta o povo de Israel dos cativeiros, criador do céu e da terra. O salmista unifica as tradições em respeito ao Sheol – dentro da perspectiva de uma situação caótica da terra sem vida, próximo do não mundo, dominado pela opressão dos poderosos, com a criação de uma nova possibilidade de vida.

Nesta nova possibilidade vida Javé está criando um mundo melhor, basta que a comunidade aguarde esperançosamente pela “Dia de Javé”.

Assim nesta expectativa pelo agir de Javé, o salmista convida a comunidade reunida expressar a sua confiança com louvores e ações de graças, não temendo o que os poderosos possam fazer; não temendo as suas armas e sua fúria, pois Javé liberta o seu povo das garras dos opressores; o povo foi liberto do “reino dos mortos”, a história humana está em Suas Mãos.

Mas esta expectativa por uma nova possibilidade de vida criada por Javé, não pode estar desassociada da justiça individual e coletiva, o qual somente é possível quando está presente na sociedade a preservação da paz através do cumprimento dos mandamentos em relação ao próximo (Harris, 2001, 1879).

Assim justos diante de Javé são aqueles que assumem uma atitude de serviço tanto ao Senhorio de Javé, bem como acolhe o necessitado e desamparado.

No ambiente de culto o povo de Deus é convidado a quebrar as barreiras que promovem a separação da comunidade, bem como destruir as injustiças através da solidariedade, fraternidade e igualdade.

Mas quando os homens falham no cumprimento dos mandamentos voltados ao próximo, poderá encontrar abrigo, proteção, defesa da causa em Javé Aquele que resgata e continua fiel à sua aliança com Seu povo, agindo em favor dos oprimido e esquecidos pela sociedade.

 

6.3 Nova Tradução

1 Cântico de Romagem
Se não fosse Javé que se manteve ao nosso favor : assim diga Israel.

2 Se não fosse Javé que se manteve ao nosso favor, quando os poderosos levantarem-se contra nós;

3 Então seríamos lançados vivos no Sheol, pela ira ardente dos poderosos contra nós.

4 Então as águas teriam nos levado, sua torrente atravessaria o nosso ser.

5 Então cobriria todo o nosso ser, as águas impetuosas.

6 Louvado seja Javé, pois não nos entregou por presa aos seus dentes.

7 Nossa vida escapou, como pássaro da armadilha. O laço foi quebrado e fomos libertos.

8 Nosso auxílio está no nome de Javé, que fez o céu e a terra.

 

6.4 Atualização Hermenêutica

A perícope objeto de nosso estudo em primeiro momento de aproximação nos chamou a atenção quanto ao fato da presença de Javé junto aos Seu Povo, a partir daí parti do ponto : que momento da caminhada individual Javé se fez presente ? Talvez a nossa maior preocupação fosse essa.

Para nossa surpresa o Salmo 124 não é expressão individualista, pelo contrário é fruto de reflexão comunitária, mais precisamente de famílias que foram reduzidas a situações de escravidão, ou bem próximas desta situação de opressão.

No contexto latino-americano esse Salmo é de extrema importância sobretudo pelas injustiças que estão bem presentes no cenário político, social e econômico.

Nos dias atuais é bem conhecido que a “justiça” promovida pelos tribunais que deveriam julgar de acordo com as leis existentes, são movidas pelo dinheiro; se a vítima/réu tiver recursos econômicos substanciais, dificilmente sofrerá as injustiças, e com toda a certeza sua causa será julgada no menor tempo possível.

Agora se a vítima/réu for uma pessoa desprovida de recursos financeiros, provavelmente a justiça não se colocará ao seu lado, pelo contrário a justiça legal provavelmente o condenará.

Os tribunais municipais, estaduais e até mesmo federais estão manchados pelo “sangue inocente” que clama.

Desta forma a comunidade cristã é convidada a reconhecer em quais situações Javé está defendendo as causas, mais precisamente Javé está ao lado de quais grupos ou pessoas na atualidade ?

Esta reflexão é de extrema necessidade porque a comunidade cristã que tanto luta para ser reconhecida como povo de Deus, poderá estar lutando contra Javé.

Talvez o ponto de partida para localizar os grupos ou pessoas na atualidade que Javé está defendendo seria olharmos para as diversas famílias que tanto sofrem no ambiente latino-americano, famílias vítimas do alcoolismo, drogas, tráfico de drogas, prostituição, religiosidade pervertida, enfim vários são os inimigos das famílias.

Qual a posição da comunidade cristã diante dos problemas familiares ?

Uma das respostas para as famílias que não estão inclusas em nossa comunidade protestante seja fechar os olhos e fazer de conta que não estamos as contemplamos.

Ou ainda quando estes problemas entram pela porta da frente de algum membro de nossa comunidade a atitude mais fácil e que gera menor esforço talvez seja a disciplina eclesiástica para evitar futuros problemas semelhantes, mas isto não resolve o caso.

Talvez uma resposta condizente com a perícope estudada seria a atitude de demonstrar aquilo que as famílias não encontraram : apoio, solidariedade, fraternidade pelos membros de sua comunidade.

Para que isso aconteça a comunidade que se reúne para expressar o seu louvor e adoração a Deus, é convidada a assumir a posição dos marginalizados e excluídos socialmente, é convidada a ser o “resgatador” para aqueles que não tem ninguém que os possa resgatar de sua posição de indignidade humana.

O primeiro passo rumo a essa dignidade humana seria o culto, o qual não deveria haver espaços para manter a dominação que em muitas situações tem o cheiro de morte, mas deveria ser uma atmosfera de serviço que conduz à vida em plenitude.

Mas para que a vida contamine a sociedade como um todo a comunidade não pode estar de olhos fechados à sua volta, mas é convidada a estar atenta para aquilo que tem promovida a morte em sua sociedade e buscar meios de ações para estar lutando à favor da vida.

Neste sentido a comunidade cristã protestante deveria incluir em suas ações missionárias a luta pelo resgate : resgate à família, resgate às vítimas de injustiças, resgate ao direito legítimo, resgate à esperança do povo, resgate ao Senhorio de Javé na história humana.

Quando a comunidade estiver à favor da vida, então com toda a certeza estará sendo utilizada como um instrumento vivo nas mãos de Javé para retirar as vítimas que se movem em uma condição morte e caos existencial.

 

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