José Saramago e a Bíblia

Fonte de notícia: Folha, Zenit, Publico
Postado por Luiz da Rosa, em 21/10/2009


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O Prêmio Nobel de Literatura de 1998, o escritor português José Saramago, lançando o seu novo livro chamado “Caim”, numa entrevista dada à agência Lusa, em Penafiel, aproveitou para sublinhar suas idéias sobre Deus e particularmente sobre a Bíblia – e o Corão. E isto suscitou algumas reações no mundo dos biblistas, especialmente em Portugal. Todavia o pensamento do autor não é uma novidade. De fato, há um ano, na Folha de São Paulo, ele já havia externado suas opiniões, como se pode ser no site do jornal paulista.

Essas são as palavras do escritor sobre a Bíblia e sobre o Corão:
“A Bíblia passou mil anos, dezenas de gerações, a ser escrita, mas sempre sob a dominante de um Deus cruel, invejoso e insuportável. É uma loucura”

“O Corão, que foi escrito só em 30 anos, é a mesma coisa. Imaginar que o Corão e a Bíblia são de inspiração divina? Francamente! Como? Que canal de comunicação tinham Maomé ou os redactores da Bíblia com Deus, que lhes dizia ao ouvido o que deviam escrever? É absurdo. Nós somos manipulados e enganados desde que nascemos!”
(leia mais – publico.pt)

A agência ZENIT invés, traz esse texto:
“O biblista Fernando Ventura, capuchinho português, considera que a polêmica despertada pelas declarações do escritor José Saramago são um “golpe publicitário” que atinge um meio marcado por uma “atroz ignorância bíblica”.
O biblista concedeu declarações à Agência Ecclesia, do episcopado de Portugal, que ouviu expoentes da Igreja no país após Saramago, no contexto do lançamento de um novo livro, ter classificado a Bíblia como “um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade”.
Pe. Fernando Ventura afirmou que José Saramago teria a exigência intelectual de se informar antes de escrever.
“A Bíblia pode ser lida por alguém que não tem fé, mas supõe alguma honestidade intelectual de quem o lê”, afirmou, acusando Saramago de “uma falta gigantesca” dessa honestidade.
Mais grave, acrescentou o capuchinho, é o desconhecimento “do que são gêneros literários” ou do lugar do “mito” na literatura, o que considera especialmente negativo num escritor que se debruçou “sobre um âmbito que não domina”.
“Não saber situar o texto no contexto é imperdoável para um escritor”, assinala.
O biblista espera que esta polêmica sirva como “provocação” para que os católicos se questionem sobre a melhor maneira de responder a esse golpe publicitário.
Já o bispo do Porto, D. Manuel Clemente, responsável pela área da cultura na CEP (Conferência Episcopal Portuguesa), disse que "uma personalidade como José Saramago, que tem mérito literário inegável, deveria ser mais rigoroso quanto fala da Bíblia”.
Segundo o bispo, “bastaria ler a introdução a qualquer livro da Bíblia, nomeadamente o Gênesis, para saber que são leituras religiosas acerca da história de Israel”, depois recolhidas como “história bíblica para todos os cristãos e todos os crentes”.
D. Manuel Clemente diz que Saramago utilizou um discurso de “tipo ideológico, não histórico nem científico” e revela uma “ingenuidade confrangedora” quando faz incursões bíblicas.
Já o Pe. Manuel Morujão, secretário da CEP, lamentou a “superficialidade” com que Saramago se debruçou sobre a Bíblia, considerando que “entrar num gênero de ofensa não fica bem a ninguém”, sobretudo a quem tem um estatuto de prêmio Nobel da Literatura.
Pe. Morujão disse que esperava “mais” do prêmio Nobel, “independentemente da sua ideologia”. Recomendou “humildade” nas opiniões, para que estas não se apresentem como “pseudodogmas”. O sacerdote desejou ainda que se promova “muito mais a cultura bíblica”.”

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