Uma janela sobre o mundo bíblico

Qual livro do Novo Testamento fala que devemos pagar o dízimo?



  • Pergunta de wagner, cariacica, ES
  • 86836
  • 04/06/2010
Luiz da Rosa

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O dízimo é uma instituíção do Antigo Testamento, regulamentado sobretudo segundo Levíticos 27. Jesus, sendo filho do seu tempo, viveu num ambiente onde o dízimo era normalmente pagado. Textos importantes do Novo Testamento são:

Mateus 23,23: Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas omitis as coisas mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Importava praticar estas coisas, mas sem omitir aquelas.
Veja igualmente Lucas 11,42.

Lucas 18,10-12: “Dois homens subiram ao Templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava interiormente deste modo: ‘Ó Deus, eu te dou graças porque não sou como o resto dos homens, ladrões, injustos, adúlteros, nem como este publicano; jejuo duas vezes por semana, pago o dízimo de todos os meus rendimentos”.

Hebreus 7,5: Ora, os filhos de Levi, chamados ao sacerdócio, devem, segundo a Lei, estabelecer o dízimo para o povo, isto é, para seus irmãos, conquanto são descenentes de Abraão.

Não encontraremos na boca de Jesus uma recomendação explicita para que o dízimo seja pagado. Isto, porém, não significa que Jesus era contrário a esta norma religiosa. O dízimo era uma realidade religiosa e os judeus da época de Cristo, como ele, observavam esse preceito. Portanto é inútil buscar uma argumentação bíblica contra o dízimo. Todavia é muito importante entender a posição de Jesus, que fica muito clara no texto de Mateus, citado acima. Fundamentalmente o dízimo é expressão de justiça, de solidariedade.

Essa concepção é baseada no conceito do dízimo do Antigo Testamento. O dízimo pertencia a Deus e era dado aos levitas conforme dito em Números 18,21, como se fosse a herança deles, pois a tribo de Levi não obteve para si, quando o povo entrou na terra prometida, nenhum território. Os animais porém não pertenciam aos levitas. E os próprios levidas deviam dar a Deus o dízimo daquilo que recebiam como dízimo (Números 18,26 seguintes).

Embora o dízimo fosse dado no templo, a cada 3 anos devia ser levado até o local onde os levitas moravam e doado aos pobres, estrangeiros, órfãos e viúvas, com os quais se devia fazer uma refeição (Deuteronômio 14,28 seguintes).

É importante notar que o dízimo, na sua origem, não é destinado aos sacerdotes, mas tem como intenção sanar uma disigualdade social: compensar a falta de propriedade que atingia os levitas. Os sacerdotes, invés, sobreviviam com os sacrifícios que o povo oferecia, que eram diferentes do dízimo. Frizamos, contudo, que existe uma grande confusão neste campo, pois graças sobretudo ao livro de Números os sacerdotes, descentendes de Aarão, são considerados Levitas. Porém, se lemos Ezequiel, por exemplo, existe uma nítida diferença entre sacerdotes e levitas. E depois, a confusão aumentou por que o dízimo era entregue no Templo e portanto, parece, que era controlado pelos sacerdotes. De qualquer forma o fato que a Lei obrigue a cada 3 anos que o dízimo não seja levado ao templo, mas pessoalmente aos levitas e pobres, sublinha a índole do dízimo.

É importante, por último, falar do aspecto teológico do dízimo. Com o dízimo se exprime a convinção que tudo aquilo que se possuiu é fruto da bondade divina. Nessa linha deve ser lido o texto de Lucas 18,9-14, o segundo texto citado, onde Jesus conta uma parábola que fala do dízimo praticado pelos fariseus no tempo de Jesus, que era meramente uma prática, sem nenhuma espiritualidade. O dízimo em si não é importante, mas significa uma das expressões possíveis do reconhecimento da existência de Deus nas nossas vidas. Contudo, o fundamental da Lei transmitida no Antigo Testamento é a Justiça, a misericórdia e a fidelidade. Dessas coisas o dízimo pode ser uma expressão.

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