Uma janela sobre o mundo bíblico

Quem é o sujeito da oração de Jo 1,1 e qual a relação com Gn1,1 e me dá uma intertextualidade teológica dos textos.



  • Pergunta de Josef, São Paulo / SP
  • 9801
  • 30/05/2012
Odalberto Domingos Casonatto

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Olá Josef de São Paulo!

Na verdade são três perguntas em uma só. Vamos responder em partes começando com a pergunta: “Quem é o sujeito da oração de Jo 1,1”

Em Grego, transliterado João 1,1: “En arche en o logos, kai o logos em pros tos Theon, Kai o logos en Theos” (João 1,1)

Traduzido: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus” (João 1,1)

Quem é o sujeito da frase:

Sabemos que a língua grega possui declinações e casos, assim como o latim, o alemão (no português sobrou alguns resquícios), etc.

Existe no grego uma regra que diz quando o sujeito da oração e o predicativo da oração formados por substantivos deve-se observar a seguinte regra que o sujeito {Logos/Verbo} deve vir acompanhado de artigo definido, não segue a regra o predicativo do sujeito {Theos/Deus} que é colocado na frase sem o artigo.

Outra observação importante é que a língua grega não observa ordem na colocação da frase, pois tem os casos que indicam. Normalmente em Português temos: sujeito, verbo e complemento.

Exemplo pode ser dado em Jo 1,1: “pros tos Theon” e “logos en Theos".

Observemos a frase: “Kai Theos en o logos” a frase trás “Theos” na frente, tendo o mesmo significado que “Kai o logos en Theos”. Até poderíamos traduzir por “E Deus era o Verbo”, mas estaria errado. Assim que em grego encontramos diferentes “arrumações” dos termos na frase, sendo traduzidas para outra língua, como para o português, com o mesmo significado. “Kai Theos en o logos”, = “E o Verbo era Deus”. No caso de “Kai o logos en Theos” ou “Kai Theos en o Logos”, o que nos permite dizer “quem era o quê” respondido pela presença do “o” antes do sujeito “Kai Theos en logos”.

Assim se destaca na frase de João 1,1 o sujeito: Logos/Verbo/Jesus Cristo

 

Uma segunda pergunta: qual a relação com Gn 1,1

A relação entre João 1,1 e Gênesis 1,1, é a chave de leitura para entendermos o porquê deste Prólogo que João apresenta no evangelho. As mesmas palavras de Gênesis 1,1 “No princípio, Deus criou o céu e a terra” encontramos em João 1,1: “No principio era o verbo...”. O Evangelista João no Prólogo de seu evangelho nos convida a fazermos uma releitura de toda a Bíblia tendo como ponto de partida os sinais da presença divina na história do seu povo. Nesta tarefa de releitura de toda a Bíblia a chave é o seu próprio filho Jesus Cristo, o Verbo, a palavra do Pai. No versículo 14 está todo o centro interpretativo do Prólogo: “A Palavra se fez carne e fez sua tenda no meio de nós.” (João 1,14)

 

A relação teológica entre Gênesis 1,1 e João 1,1

No estudo do primeiro capítulo do Gênesis, se destaca a diferença de Deus e o  mundo quanto: a Sabedoria divina e a Palavra de Divina. A Sabedoria divina e sua palavra existiam antes do mundo e através delas que o mundo foi criado. Por sua vez Ela foi enviada a terra para revelar parte dos segredos divinos e depois desta missão retornar a Deus.

No prólogo de João este mesmo pensamento ali é expresso. O Verbo estava com Deus, foi enviado ao mundo, com uma missão, que é a de salvar a humanidade. Terminada a missão retorna ao Pai. O evangelista João teve a tarefa em seu evangelho de descrever o fato da encarnação (João 1,14) e mostrar a natureza pessoal desta Palavra (Sabedoria). Portanto podemos dizer que um texto completa o outro e sem um não se entende o outro e a relação entre eles.

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