Os apócrifos não são ‘Palavras de Deus’. Trata-se de uma literatura importante, mas que não tem a autoridade doutrinal inerente aos livros bíblicos. A parte esta importante precisação, os apócrifos devem ser mesmo assim considerados, pois podem ajudar a entender a vida da comunidade cristã dos primeiros séculos. Contudo, é necessário prestar atenção à índole desses escritos, pois na maioria dos casos não podem ser tomados como obras históricas, isto é, aquilo que contam não é verdade histórica, mas expressão de ideologias radicais que, com fatos simbólicos e/ou inventados, tentam transmitir a própria crença. Por isso foi dito que, quando se trata de apócrifos, ‘é difícil distinguir entre história e ficção’.

É necessário esvaziar a tensão existente em relação aos apócrifos. Envolvemos esses livros num clima de polêmica que apenas impedem a sua correta consideração. Obviamente a igreja, que ‘escondeu’ esses livros do grande público durante tanto tempo, tem uma grande culpa neste processo, mas felizmente, hoje, os tempos mudaram e temos acesso a estes documentos. De agora em diante a culpa de eventual imcompreensão passa a ser nossa.

A sua questão fala de outro aspecto importante, conforme Apocalipse 22,18 (A todo o que ouve as palavras da profecia deste livro, eu declaro: ‘se alguém lhes fizer algum acréscimo, Deus lhe acrescentará as pragas descritas neste livro’ – Ver também Deuteronômio 4,2; Provérbios 30,6; Eclesiates 3,14). Atenção! Leiamos os versículos da Bíblia dentro do contexto: aqui João está usando um método que visa proteger o escrito sagrado contra qualquer falsificação. Não podemos basear-nos em tal citação para afirmar que o que diz a Bíblia é estático. Corremos o risco de transformar a Bíblia em livro morto. Na verdade ela é muito dinâmica e exige a nossa participação; temos que colocar a nossa própria vida dentro dela.