Em que escola Moisés estudou, já que muitos dizem que ele era um arquiteto... Como eram as escolas na época de Jesus?

Pergunta de Aparecida Koval, Maringá
Resposta de Luiz da Rosa, em 16/11/2011


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Moisés viveu há 2 mil anos antes de Jesus. Algumas enciclopédias dizem que foi nesse período que nasceram, naquela região, as escolas. Todavia o seu objetivo era preparar os jovens para a administração pública e devia ser previlégio de poucos. É claro que Moisés, como conta a história do seu nascimento, embora filho de escravos judeus, cresceu na casa do faraó, depois que a filha do Faraó o encontrou no rio (veja Êxodo 2,10). Por isso é muito provável que tenha tido uma formação previlegiada, mas podemos ter certeza que não frequentou uma escola, como a concebemos hoje. E se tivesse sido um arquiteto, coisa que a Bíblia não confirma, não fez nenhum curso específico para isso, mas simplesmente teria aprendido com a prática.

No antigo Egito a escola que formava os escribas devia ser aquela mais importante. Os sistemas de escritura eram muito mais complicados do que hoje e eram necessárias pessoas muito espertas. Mas isso vale para todo o Oriente Antigo e não só para o Egito. Pode ser que Moisés tenha frequentado uma dessas escolas, mas não temos certeza.

 

Em Israel, no início, a educação dependia completamente dos pais. Há exemplos bibliográficos que deixam transparecer que possa ter existido escolas ligadas aos templos. Samuel, por exemplo, é deixado pela mãe no templo. Existiam também as escolas proféticas, formadas por discípulos que se reuniam a profetas famosos, como Elias e Eliseu (veja 2Reis 2,1.3.5.15; 4,38). A existência de discípulos é evidente em Isaías 8,16. Esses grupos foram os responsáveis em trasmitir os ditos proféticos, colocando-os, em muitos casos, em forma poética.

 

A prática didática consistia sobretudo em repetir e aprender de cor regras de comportamento e, em casos religiosos, leis da religião.

 

No tempo de Cristo, sabemos da existência de algumas tentativas de instituir o estudo como uma obrigação para as crianças (proposta do escriba fariseu Simão Ben Shetach, em 75 antes de Cristo). Devagarinho as sinagogas se transformaram em verdadeiras escolas. Nelas era ensinada a Lei, a Torah. Outras matérias de estudo entravam no programa somente se tinham relação direta com a observância da Lei, das palavras da Bíblia. Os rótulos da Lei ficavam à disposição de todos, não só para as funções de culto da Sinagoga, mas também para que as pessoas pudessem se preparar para um estudo ulterior, principalmente para preparar-se para a leitura e a explicação do texto (veja Atos dos Apóstolos 17,11). As escolas daquela época se refletem ainda hoje nas academias ortodoxas que estudam o Talmud (Yeshivot).

 

Jesus viveu nesse contexto e frenquentava esses locais onde se aprendia as Sagradas Escrituras. Ele mesmo é chamado de Rabi, aginhdo como um mestre judeu. Reuniu a sua volta um grupo de discípulos, que tinham a tarefa de aprender os seus ditos e praticar os seus ensinamentos.

 

Também Paulo foi um mestre, tendo ele mesmo frequentado a escola do mestre Gamaliel. E é exatamente ligado a este personagem a única vez que aparece a palavra escola aparece na Bíblia. A citação se enocntra em Atos dos Apóstolos 19,9, quando diz que Paulo deu aulas em Corinto, na escola de Tirano. A referência aqui é à filosofia. Pode ser que Paulo agisse como um filósofo popular e tenha aproveitado para nessa oportunidade passar a sua evangelização.

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