Lc 16,1-13 fala sobre o administrador infiel. O dinheiro na parábola é caracterizado como "iníquo", e deve ser usado para fazer amigos. Por gentileza, explique-me o que significa:"Quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas". O que quer dizer:moradas eternas?

Pergunta de Geralda Neuza Hipólita, Itu - S.P.
Resposta de Luiz da Rosa, em 20/05/2008


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A parábola do adminstrador infiel nos perturba, pois Jesus fala de um adminstrador incapaz de gerenciar a riqueza do seu patrão. Visto que seria despedido, começou a fazer caridade às custas do patrão, para poder criar amigos. Jesus no final “louvou o adminstrador desonesto por ter agido com prudência”.

Na parábola aparece 7 vezes o vocábulo “adminstrador” ou “administração”, que é, portanto, a palavra chave da passagem e da mensagem que Cristo nos quer deixar. No Antigo Testamento o “administrador” aparece diversas vezes, sobretudo das riquezas das cidades ou dos reinos. Em 1Crônicas 27,31; 28,1 se fala dos administradores do rei Davi e assim também eEster3,9; Daniel 2,49; 6,4 e Tobias 1,22 falam de administradores de reis e príncipes, que cuidam sobretudo de aspectos ligados às posses, ao dinheiro, à riqueza. No Novo Testamento essa dimensão muda, dirigindo-se mais para a esfera do espírito. São Paulo diz: Considerem-nos os homens como servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. Ora, o que se requer dos administradores, é que cada um seja fiel (1Coríntios 4,1-2). E Pedro: Todos vós, conforme o dom que cada um recebeu, consagrai-vos ao serviço dos outros, como bons administradores da multiforme graça de Deus (1Pedro 4,10).

A parábola não é um fato histórico, mas uma narração que visa transmitir um ensinamento. Na parábola nem tudo deve ser interpretado, mas o ouvinte é convidado a concentrar o próprio interesse na mensagem, deixando de lado outros aspectos. Portando não importa o fato que o administrador usa, pra o seu proveito, os bens do patrão. Importa prestar atenção na prudência e mudança de comportamento do administrador. Ele, de improsivo, muda de vida, muda as relações com as pessoas, tem outras medidas e outro pensamento; é uma pessoa nova, guiada pela lógica da distribuição. O acúmulo provoca injustiça, falta de harmonia. Quem tem muito olha somente para si mesmo. Invés é necessário ser prudente e começar a distribuir aquilo que nos foi dado, como faz o Pai conosco.

A pergunta sobre moradas eternas faz referência a um texto que não pertence à parábola, mas tem uma mensagem parecida: Eu vos digo: fazei amigos com o dinheiro da iniquidade, a fim de que, no dia em que faltar o dinheiro, estes vos recebam nas tendas eternas (Lucas 16,9). A palavra grega que traduzimos como “dinheiro” é mammona, que aparece somente 4 vezes na Bíblia (nos versículos 9,11 e 13 de Lucas 16 e em Mateus 6,24). É um vocábulo semítico que corresponde à “riqueza”, “bens” que se converte quase em pesonificação do “deus-dinheiro”.

O objetivo desse texto é orientar os discípulos de Cristo a como comportar-se diante do dinheiro. É importante sublinhar que o evangelista não usa simplesmente “dinheiro”, mas acrescenta um adjetivo a este termo, ou seja “iníquo”.

Os amigos a serem conquistados, observando todo o contexto de Lucas, são provavelmente os pobres. Invés, as moradas eternas devem ser entendidas como uma meta e são inseridas aqui para distinguir da realidade típica dos filhos deste século (v. 8) e fazer uma ligação com a parábola que seguirá a partir do versículo 19 deste capítulo de Lucas, ou seja o rico e o pobre Lázaro. Lázaro se encontra no “seio de Abraão”, ou seja, na morada eterna.

A mensagem de Lucas é clara: o dinheiro não pode ser usado pelo cristão para provocar inimizades e injustiças, mas pode ser um bem que ajuda a conquistar a vida plena.

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5 comentários

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  • WELLINGTON SUGAI (IPAMERI) - 13/11/2011

    Como teólogo católico penso: Jesus realmente elogiou o administrador infiel, que ao ser descoberto, procurou beneficiar os que deviam ao seu patrão com objetivo de ser reconhecido posteriormente, pela gratidão dos que eram explorados pelo Patrão por meio dele. Isto significa, por exemplo que os corruptos são mais espertos que os são explorados, pois estes pela ingenuidade ou pureza de coração estão sempre dispostos socorrer a todos, para que se convertam e se salvem e cheguem a moradas eternas pelo reconhecimento ...

  • Mariaugusta (Goiânia) - 21/09/2010

    É lógico que Jesus não elogiou o administrador dosenesto. Em Jesus não há incoerência, quem elogiou o administrador foi o seu patrão que no texto é chamado de senhor e não, "Senhor". Patrão este que gostou de ter em seu convívio um administrador desonosto já que o mesmo, o senhor patrão, também gosta da "esperteza".

  • Mariaugusta (Goiânia) - 21/09/2010

    É lógico que Jesus não elogiou o administrador dosenesto. Em Jesus não há incoerência, quem elogiou o administrador foi o seu patrão que no texto é chamado de senhor e não, "Senhor". Patrão este que gostou de ter em seu convívio um administrador desonosto já que o mesmo, o senhor patrão, também gosta da "esperteza".

  • Nicolas Lucena (fitchburg) - 30/03/2009

    Muito obrigado pelo exclarecimento exato nos versiculos mais complexos desta passagem. Estava esperando uma resposta importante nesta palavra.Que o espirito de Jesus continue te usando.

  • Geralda Neuza Hipólita (Itu - S.P.) - 21/05/2008

    Querido irmão Luiz da Rosa, Muito obrigada pela sua delicadeza em responder à minha pergunta. Foi bastante esclarecedora. Que o Espírito do Senhor esteja hoje e sempre com vc. União de orações! Um abraço fraterno, I.Geralda