Uma janela sobre o mundo bíblico

Baseado na Biblia, nos dias de hoje devemos ou não guardar o sabado?



  • Pergunta de Márcia, Vilhena-RO
  • 127369
  • 25/02/2011
Ivete Holthmam

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Estou lhe enviando um texto sobre o sábado. Leia com atenção e decida por você mesma.

SÁBADO (segundo uma perspectiva cristã)

O shabbat é a maior das festas, o “início de todas as santas convocações”. É memorial da criação e também da obra da salvação. Pela prática do Shabbat, Israel, ainda hoje, testemunha o Deus criador e colabora para a sua criação.
Pelo shabbat, vivido na intimidade de Deus, Israel conhece Deus e o faz conhecer (cf. Ex 31,14). Essa revelação é concebida em vista da redenção que o shabbat prefigura e antecipa.
Entrar no shabbat é entrar no tempo da eternidade, viver totalmente em Deus. Por isso o judeu celebra o shabbat esperando o “dia que será inteiramente shabbat”. Estas idéias são muito importantes porque explicam o porquê o domingo se tornou central no cristianismo. O dia que será inteiramente shabbat é o tempo da era messiânica. Se, para o cristão, Jesus é o messias, então já estamos na era messiânica, ou seja, entramos na eternidade, no 8º dia.

Jesus e o shabbat

Jesus entrava na sinagoga para celebrar o shabbat com seus irmãos judeus, para santifica-lo e guarda-lo. Ora, se Jesus queria guardar o shabbat é porque esse dia santificado era muito especial na tradição bíblica.
Ele entrava nas sinagogas primeiramente para proclamar a Palavra criadora e re-criadora.
É preciso ver qual foi a atitude de Jesus em relação ao Sábado, e a reação da primeira comunidade cristã. O pensamento de Jesus não é tão simples de ser analisado. Seria preciso fazê-lo com múltiplas nuances. Faremos aqui uma breve síntese na qual daremos os principais elementos. É certo que Jesus nunca ataca o princípio da Lei divina do Sábado. Se ele critica uma observância que consiste em obediência exterior pode-se dizer que, ao faze-lo ele segue o próprio sentido da Lei do Sábado. Jesus ao criticar uma exterioridade exclusiva reforça o ideal de autenticidade da celebração do Shabbat.
A atitude profunda de Jesus se expressa no que ele afirma: “O Shabbat foi feito para o homem e não o homem para o Shabbat. Portanto o Filho do Homem é senhor até mesmo do Shabbat” (Mc 2,27-28). Seria má interpretação do pensamento de Jesus ver nesta afirmação o desprezo da Lei e a intenção de aboli-la. Jesus conhecia a Escritura e a narração de Gn 2,3 – a interrupção hebdomadária do trabalho do homem, parada que dá um ritmo à sua vida e sublinha ao mesmo tempo seu verdadeiro destino: a adoração de seu Deus.
Quando Jesus realiza algo no Sábado, como o fazia em muitas situações, ele não inova e sua atitude tem precedentes no Judaísmo. Quando Matatias retoma o ataque em dia de Sábado (1Mac 2,39-41), não significa que ele despreza a lei do repouso, que vale tanto para o exército como para todos (1Mac 9,43-47; 2Mac 8,26-28; 12,38); mas ele tem pelo Sábado e pela Lei uma estima tão grande que julga correto seguir no sentido do seu espírito dando o passo para a preservação da nação indo além de uma observância literal dos preceitos. O próprio Evangelho assinala casos onde a observância do Sábado pode ser infringida. Jesus lembra que o repouso sabático está subordinado ao bem da humanidade e cita o profeta Oséias: “Eu quero misericórdia e não o sacrifício” (Mt 12,7; Os 6,6). Quando se trata do culto e dos ritos os próprios sacerdotes devem realizar muitas vezes trabalhos pesados (Mt 12,4-6) e neste dia se pode fazer a circuncisão (Jo 7,23). Enfim, existem alguns hábitos relatados no Evangelho como por exemplo conduzir as ovelhas ao bebedouro em dia de Sábado (Mt 12,9-12; Lc 13,12-16; 14,5).
Realmente Jesus respeita o Sábado, Ele mostra bom senso na apreciação “modalidades de aplicação” do repouso sabático. Há sérios motivos filantrópicos que modificam a aplicação da Lei, para ele, como para os judeus, trata-se mais, no Shabbat de bendizer o Senhor e de procurar a santificação desse dia.
Entretanto, é preciso ir além quando se examina as reações de Jesus. Aos motivos de alívio das misérias humanas para romper o Sábado, é preciso acrescentar a afirmação do seu poder messiânico. Nas suas obras há a promessa do Shabbat dos fins dos tempos “o Filho do Homem é Senhor do Shabbat” (Mc 2,27-28).

O shabbat é o Cristo

Precisamos reconhecer que a valorização do shabbat é uma perspectiva cristã que ajuda a compreender a imagem negativa que resalta de inúmeros textos polêmicos no Novo Testamento. Um leitura do NT, separada do contato com a tradição de Israel, pode nos levar a pensar que Jesus infringe a prática do Shabbat e proclama sua não validade (Mc 2,23-27). O evangelho de João bem demonstra que Jesus, em matéria de Shabbat, “faz-se igual a Deus” (Jo 5,18). As dificuldades provêm do fato de Jesus, em relação ao Shabbat, estar, por assim dizer, do lado de Deus; ele é Deus, igual a Deus e Senhor do Shabbat, que é comunicação ao mundo de uma vida divina desde a criação no descanso divino do sétimo dia. Ora, Jesus é a manifestação dessa comunicação, dessa presença divina ao mundo. Ele já é a realidade do mundo futuro, vivida em Israel, no Shabbat, e, na Igreja, na Eucaristia. É nesse fundo de continuidade que se ergue a questão do lugar do Shabbat na teologia, na oração, na vida da Igreja.

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