em que consistia a comunhão da igreja primitiva?

Pergunta de amanda, guarujhos
Resposta de Silvia Togneri, em 15/05/2011


Olá Amanda, a respeito de sua pergunta: o que consistia a comunhão na igreja primitiva?

A comunhão na Igreja Primitiva de Jerusalém foi modelo para as demais igrejas cristãs. Encontramos o relato em At 2,42-47 que diz que: "Eles eram perseverantes na doutrina (ensinamento) dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir o pão e nas orações". Estes são os quatro pilares da comunidade cristã, o que deve dar sustentação à vida de pessoas cristãs. Pela perseverança em ouvir o ensinamento dos apóstolos, eles começaram a praticar a comunhão como irmãos e irmãs, não só de bens, mas também de suas preocupações e lutas para que todos tivessem as mesmas condições de vida. Nos versículos 44 e 45 somos informados de como esta comunhão se traduzia: todos viviam unidos e tinham as coisas em comum. Isto significa que as pessoas que tinham bens e quando era necessário colocavam livremente seus bens à disposição daqueles que precisavam.

Há um crescimento e desenvolvimento  na comunidade de que a vida cristã deve se traduzida por atitudes e gestos concretos de amor fraterno. Como Jesus pede: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos ameis, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (cf. Jo 13,34). Amor esse que se traduz não por sentimentalismo, mas principalmente por enxergar o outro, a outra, como irmão e irmã que precisa ter apoio, palavras de ânimo e fundalmente ações que a leve sentir-se uma pessoa amada por Deus e pelos que estão à sua volta.

Neste ambiente o interessante é que os necessitados sentiam-se livres em usar os bens que lhes eram oferecidos e não apenas como alvo de caridade. Veja como consequência o que está em At 4,32: em que os bens eram considerados comum, de todos. Este é espírito que leva depois a comunidade a aceitar o terreno que Barnabé vendeu e colocou a disposição dela (cf. At 4,36-37).

No texto não se trata de ficar sem trabalhar e esperar a caridade, mas de perceber que alguns bens em demasia nas mãos de poucas pessoas são uma agressão a quem não tem o mínimo necessário para sobreviver. A comunhão fraterna deve levar a comunidade a ser unir e lutar para que todos tenham condições dignas de vida. Também é o espírito que animou Paulo a receber dos Tessalonicenses as ofertas que eles lhe enviaram (cf. Fl 4,15-16) e organizar entre as comunidades cristãs da Macedônia a coleta a ser enviada aos cristãos da Judéia em época de aflição, devido à secas e outras situações que levaram ao empobrecimento.

Na época em que o texto é construído este foi uma atitude de uma comunidade cristã em Jerusalém que era pequena, em que a vida e as relações cotidianas eram muito próximas e que por isso deve ser o modelo para as demais comunidades.

 Hoje, infelizmente somos levados a viver sob a influência do individualismo, em que a busca pelo sucesso financeiro pessoal, muitas vezes nos impede de olhar as pessoas necessitadas que estão à nossa volta. E infelizmente isso acontece até no seio das famílias.  

Em todo o texto de At 2, 42-47, está também a perseverança na oração. Creio que somente por meio dela podemos nos fortalecer e não apenas pedir a graça de desenvolver a caridade ou o Amor, mas de pedir a Deus, a capacidade de enxergar as necessidades das irmãs e irmãos com quem convivemos e também na nossa sociedade, bem como a coragem e força para dar as mãos e juntos gritar e lutar para que a justiça aconteça a partir das famílias, na comunidade, na cidade onde vivemos e no mundo.

Veja mais sobre o assunto no artigo neste site sobre a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos – 2011.

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