Tenho visto que esta preocupação existe em muitos ambientes religiosos. Alguns comentam que gostariam de “falar” com o filho de Deus e queriam saber exatamente como devem chamá-lo. Como pano de fundo existe uma acusa a certas pessoas, os tradutores da Bíblia, que teriam “estragado” ou deturpado o verdadeiro nome do Salvador. Se essa tese tivesse lógica,deveríamos culpar os próprios evangelistas que, em grego, na língua em que escreveram, usaram a palavra Ιησους (Iēsoûs) para nomear o Filho de Deus, que em aramaico era Yešu'. Aramaico foi a língua que Jesus falou. Por sua vez, Yešu' é a tradução aramaica do nome hebraico יהושע, cuja pronúncia é Yĕhošūa‘, que normalmente traduzimos como Josué. Portanto, o nome “Jesus” é a tradução aramaica do nome hebraico “Josué”. Essa seria a lógica, da origem até a versão em português, desse nome 1.Yĕhošūa - Hebraico 2. Yešu - Aramaico 3. Iēsoûs - Grego 4. Jesus - Português Sinceramente creio que o problema não existe. Para alguns pode ser interessante saber como Jesus era chamado por sua mãe, por exemplo. Mas não é uma questão fundamental. Com certeza o Filho de Deus nos escutará, seja que o tratamos com Jesus, Yeshu ou Yehoshua. Em relação ao nome de Deus, a questão é mais complexa. Às vezes, quando escrevo “Javé” uso YHWH e pretendo, com isso, dar um sinal da complexidade do tema. No hebraico existe o assim chamado “tetragrama”, que é o nome de Deus. São 4 letras, sem vogais. Normalmente essas 4 letras são lidas como YaHWeh (Javé) . Algumas confissões lêem como YeHoWah (Jeová). Nunca saberemos como deve ser, pois esse nome nunca foi pronunciado pelos hebreus. Até hoje, quando os judeus encontram, na leitura, esse tetragrama, que provavelmente tem sua origiem no verbo “ser”, dizem “Adonai” (meu senhor). Talvez daqui poderia nascer uma sugestão: invés de criar polêmica sobre a sua correta pronúncia, melhor calar diante desse nome, testemunhando o nosso respeito por ele.