INTRODU√?√?O

Em nossos dias, evidenciamos a forte presen√ßa do fen√īmeno religioso, ou seja, do seu retorno, ao percebermos a prolifera√ß√£o do misticismo nos novos movimentos pentecostais e neo-pentecostais, cuja oferta significa uma salva√ß√£o funcional para m√ļltiplos males, provenientes de nossa sociedade secularizada. No √Ęmbito cat√≥lico, a RCC (Renova√ß√£o Carism√°tica Cat√≥lica), cuja espiritualidade √© pentecostal, ser√° aqui, para n√≥s, objeto de investiga√ß√£o, uma vez que este movimento, em suas pr√°ticas religiosas, busca, a partir da ordem e an√ļncio de Jesus (Mc 16,17-18), exercer o minist√©rio de cura e liberta√ß√£o. Nossa proposta √©, portanto, mostrar que o mesmo poder curador de Jesus, operado pelo Esp√≠rito Santo, qual seja de expuls√£o do mal da pessoa humana em seu estado de crise existencial, continua, nos dias atuais, operando milagres por interm√©dio de um profissional do sagrado ou de leigos engajados. Analogamente ao minist√©rio de Cristo, estes √ļltimos, por sua vez, ao exercerem a sua miss√£o, vestem-se da ordem de Jesus e pelo poder do Esp√≠rito Santo, buscam restaurar no ser humano novo sentido existencial, sanando-os dos mais diversos tipos de enfermidades, consideradas como uma personifica√ß√£o do mal.

1. A presença do Sagrado

Observamos, nas narra√ß√Ķes sobre Jesus, a presen√ßa do sagrado e do seu poder de salvar vidas humanas j√° consideradas perdidas, libertando-as das doen√ßas f√≠sicas ou ps√≠quico-emocionais, descritas pelos evangelistas. Nele, a preocupa√ß√£o com o ser humano, principalmente, com os marginalizados, juntamente com sua perspectiva da miss√£o salv√≠fica, procurava libertar o homem, em todas as suas dimens√Ķes, inclusive das situa√ß√Ķes anti-humanas. A partir da f√© promotora das diversas manifesta√ß√Ķes do poder sagrado de Jesus, o milagreiro-Jesus exercia seu poder curador de todos os tipos de males que, naquele contexto, poderiam atormentar √†queles considerados como ‚??ovelhas sem pastor‚?Ě, a partir da f√© promotora das diversas manifesta√ß√Ķes do poder sagrado de Jesus.

Em nossos dias, com o advento da modernidade, podemos tamb√©m observar as mesmas pr√°ticas salv√≠ficas de Jesus, operadas pelos seus ministros, considerados continuadores da sua miss√£o? Ou as experi√™ncias das primeiras comunidades e dos grandes m√≠sticos da hist√≥ria da Igreja n√£o acontecem mais? O mesmo poder curador e libertador dos diversos males humanos que, muitas vezes, s√£o personificados nas doen√ßas f√≠sicas, continua, em nossos tempos, operando milagres de curas naquelas pessoas que movidas pela f√© no an√ļncio evang√©lico de um milagreiro contempor√Ęneo? Para o Movimento da Renova√ß√£o Carism√°tica Cat√≥lica, as doen√ßas s√£o consideradas como oriundas do mal e, em alguns casos, sua pr√≥pria manifesta√ß√£o ou personifica√ß√£o?

A partir desses questionamentos, procuraremos analisar tr√™s narrativas de curas do livro ‚??H√° poder de Deus‚?Ě, de Ironi Spuldaro e Casagrande (2006). O primeiro autor √© considerado pela RCC como um dos milagreiros mais conhecido atualmente e a segunda, cuja autoria divide o livro com Ironi, uma das pregadoras do movimento. Os textos foram divididos entre os autores na seq√ľ√™ncia do livro e, por isso, os testemunhos, escolhidos e analisados por n√≥s ao final desse artigo, foram narrados pelo pr√≥prio pregador-milgreiro (Ironi), cujos milagres descritos permitir-nos-√° estabelecer a rela√ß√£o entre doen√ßa e mal.

2. A Rela√ß√£o entre Sa√ļde e Salva√ß√£o

Em seu livro Sa√ļde e Salva√ß√£o, Terrin (1998) procura mostrar, a partir de alguns questionamentos iniciais, como as religi√Ķes hist√≥ricas - mais especificamente as de tradi√ß√£o crist√£ - desenvolveram a tarefa terap√™utica da religi√£o associada a sua miss√£o de salva√ß√£o. Para esse intento, faz uso da etimologia quando explica-nos que os termos sa√ļde e salva√ß√£o nasceram de um mesmo conceito, mantendo, por muito tempo, o mesmo significado (svastha, s√Ęnscrito) de bem-estar, plenitude, assumindo adiante a forma do n√≥rdico heill e derivando-se na l√≠ngua anglo-sax√īnica em heil, whole, hall, entendidos como integridade e plenitude.

No latim, o termo √© salus, indicando salvador, salva√ß√£o e sa√ļde, enquanto que, na l√≠ngua hebraica, o termo √© shalom, ao passo que, na l√≠ngua eg√≠pcia, √© snb, indicando, respectivamente, bem-estar f√≠sico, vida/sa√ļde, integridade f√≠sica e espiritual. Em contrapartida, o mal-estar f√≠sico, a doen√ßa e tudo aquilo que n√£o promove a integridade humana s√£o encarados como mal e, portanto, como situa√ß√Ķes an√īmicas ou conflituais entendidas como processo de demoniza√ß√£o.

Para Berger (1985), a ‚??aliena√ß√£o tem poder poder sobre os homens precisamente porque ela os protege dos terrores da anomia‚?Ě (p. 102). Os fen√īmenos an√īmicos devem ser superados e explicados em termos de nomos estabelecidos na sociedade em quest√£o‚?Ě (BERGER, 1985, p. 65). √?, pois, a partir da experi√™ncia religiosa e das qualidades particulares do sagrado que a alteridade gera, no homem religioso, proje√ß√Ķes humanas, tais como: o temor, o terror e a adora√ß√£o ao ser numinoso que transcendem o plano natural do ser humano. Esse mist√©rio, envolto de medo e fascina√ß√£o do outro, √© o motivo que conduz ao encontro com o sagrado, uma vez que a religi√£o, por si s√≥, desempenha o papel de constru√ß√£o e manuten√ß√£o do mundo.

O mal se revela, segundo Boncinelli (2007), na dor e no sofrimento. Em sua concep√ß√£o, ele √© tudo aquilo que incomoda o ser humano e √© capaz de provocar-lhe dor f√≠sica externa (fisiol√≥gica) e interna (patol√≥gica), ou dor ps√≠quica e emocional (verbi gratia, perda de um ente querido, etc.) que, em alguns casos, poderia nascer de uma dor f√≠sica, ou vice-versa. Geralmente, o papel da dor √© funcionar como um ‚??arauto‚?Ě dos males humanos, isto √©, uma forma de aviso de que alguma coisa n√£o se encontra bem na integridade f√≠sica do organismo humano. Segundo este autor (2007), a dor f√≠sica √© percebida como mal, uma vez que a sua aus√™ncia √© que caracterizaria a presen√ßa do bem. ‚??Os monstros e os dem√īnios podem desencadear as doen√ßas‚?Ě, ao ponto de conceb√™-las como uma forma de personifica√ß√£o do mal e da doen√ßa num dem√īnio como ‚??um fato instintivo e imediato‚?Ě (TERRIN, 1998, p. 159-60).

Segundo Terrin (1998), a religi√£o, desde os seus princ√≠pios, √© tendenciosa ao conceber sa√ļde e salva√ß√£o como for√ßas correlatas, ao mesmo tempo que considera e confunde a doen√ßa com os esp√≠ritos maus, com o pecado e, consequentemente, com a possess√£o demon√≠aca, o que, segundo este autor, torna evidente, no mundo crist√£o, a partir de alguns textos da literatura sagrada. De fato, tanto para os antigos povos quanto para os modernos, ‚??a doen√ßa passa a ser a primeira experi√™ncia pessoal do anticosmos, do caos e da desordem‚?Ě (p. 156). Ela passa a ser, segundo Quintana (apud LEMOS, 2002, p. 484) ‚??incompreens√≠vel, ininterpret√°vel para o ser humano‚?Ě.

H√°, portanto, uma profunda rela√ß√£o entre as concep√ß√Ķes de sa√ļde, doen√ßa e religi√£o, desde o momento em que se busca por sa√ļde por interm√©dio da religi√£o no mundo antigo. Na Mesopot√Ęmia, as doen√ßas sempre foram, obviamente, consideradas como for√ßas ou situa√ß√Ķes negativas. No antigo Egito, por causa da tradi√ß√£o e do medo do mal, buscou-se sempre a cura atrav√©s do culto da eterna juventude e cada parte do corpo correspondia ao dom√≠nio de um dem√īnio e que para cada doen√ßa havia um m√©dico. No Extremo Oriente, donde se cria na ordem c√≥smica e no poder do universo em harmonia, a doen√ßa era tratada como algo ligado a um equil√≠brio das energias espirituais e c√≥smico-universais. Acerca da literatura hindu√≠sta Ayurveda, que traz a medita√ß√£o como t√©cnica de cura, os curandeiros chineses buscavam na compreens√£o do tao (yin e yang) um perfeito equil√≠brio para que o indiv√≠duo obtenha a sa√ļde (TERRIN, 1998).

De fato, √© no mundo ocidental crist√£o que a concep√ß√£o de sa√ļde/doen√ßa ao ser relacionada √† religi√£o, adquire a concep√ß√£o dualista (corpo e alma), herdada da filosofia at√© o Renascimento, de onde ‚??toda a filosofia religiosa e humanista teve de ceder lugar √† prepot√™ncia dos tecnocratas do corpo humano e, em geral, ao positivismo da pesquisa cient√≠fica, que logo mostrou sua raiz anti-religiosa, na mesma medida em que se fazia defensor de um saber ‚??objetivo‚?Ě e ‚??indutivo‚?Ě (TERRIN, 1998, p. 179-80).

N√£o se pode esquecer, √© claro, da contribui√ß√£o dos eg√≠pcios e dos babil√īnios, dos quais o cristianismo buscou a cren√ßa de que as doen√ßas eram causadas pelos dem√īnios. Na Mesopot√Ęmia, prevaleceu a id√©ia de que a ‚??era causada por uma s√©rie de situa√ß√Ķes negativas na qual o pecado estava ligado √† possess√£o demon√≠aca e esta implicava inevitavelmente doen√ßa, sofrimento e tamb√©m morte‚?Ě (TERRIN, 1998, p. 157). Nesse sentido, a doen√ßa √© concebida como ‚??fruto dos esp√≠ritos malignos, √© obra do diabo, √© fruto do pecado, vem da possess√£o, remonta ao grande monstro‚?Ě (TERRIN, 1998, p. 157-58).

3. O Imaginário Popular: doença simbologia do mal

Acreditava-se, desde o Antigo Testamento, que os dem√īnios e esp√≠ritos do mal eram os respons√°veis por todos os males f√≠sicos (doen√ßas), conseq√ľentes dos pecados, tidos como males morais. Esses dem√īnios se apresentavam em v√°rias formas de doen√ßas, desde uma cegueira at√© mesmo como respons√°veis pela morte (Tb 6, 7-9). Eles apoderavam-se das pessoas e somente atrav√©s de uma ora√ß√£o forte e certos rituais que se expulsavam os esp√≠ritos malignos. Conforme Schiavo e Silva (2000), ‚??acreditava-se que dem√īnios e esp√≠ritos eram respons√°veis por todos os males f√≠sicos e morais (o pecado). A enfermidade f√≠sica teria sido a puni√ß√£o pelo pecado, embora se pensasse que fosse sat√£ a levar os seres humanos a pecar‚?Ě (SCHIAVO; SILVA, 2000, p. 71).

Evidentemente, no tempo de Jesus, a imagem que se tinha, desde o Antigo Testamento, era de que a doença física fosse sinal das forças malignas, ou mais propriamente do mal. Essa concepção não é desmistificada por Jesus, pelo contrário, há, como se pode ver, várias narrativas bíblicas do Novo Testamento (Mc 1, 23-38; Mt 8, 28-34; Lc 9, 37-43, etc.) que comprovam, além dos casos de possessão, os casos de doenças físicas, cujas enfermidades eram consideradas como presença de um espírito do mal.

Em v√°rios relatos b√≠blicos do Novo Testamento, identificamos quest√Ķes pol√™micas que envolviam a Jesus acerca do problema do mal, isto √©, das suas poss√≠veis causas e, consequentemente, da sua origem. Percebemos tamb√©m, nos relatos dos evangelhos sin√≥ticos, diversas curas milagrosas atrav√©s da pr√°tica do exorcismo, curas f√≠sicas e espirituais e os milagres da natureza, a exemplo da tempestade acalmada, da caminhada sobre as √°guas, da maldi√ß√£o da figueira, etc., percebidos como for√ßas malignas, capazes de provocar o mal. Cria-se, pois que ‚??no tempo de Jesus, o mundo era habitado por uma enorme popula√ß√£o sobrenatural: deuses, anjos, dem√īnios, esp√≠ritos da morte, etc‚?Ě.

Os relatos b√≠blicos de curas nos oferecem, em particular, uma infinidade de curas do ser humano em sua totalidade. A preocupa√ß√£o do curandeiro Jesus era, essencialmente, o restabelecimento do homem integral, de forma hol√≠stica, compreendendo sua sa√ļde tanto f√≠sica, mas tamb√©m espiritual, quanto ps√≠quica, mas, sobretudo, √©tica e moral. Com efeito, para uma restaura√ß√£o completa do homem era necess√°rio, ao p√īr-se a caminho do sagrado, a f√©, condi√ß√£o sine qua non para a realiza√ß√£o da cura. Naquele contexto, colocava-se, no Sagrado, toda a esperan√ßa humana de salva√ß√£o, cujo descr√©dito n√£o possibilitava mais enxergar, em quaisquer estruturas do poder institucional, sejam elas religiosas ou pol√≠ticas, al√≠vio √†s ang√ļstias, uma vez que eram essas mesmas organiza√ß√Ķes entidades excludentes. (PAG. 95, 2¬ļ PARAGRAFO)

Em Jesus, percebia-se um novo poder, um poder além das estruturas hierárquicas e distantes do ser humano, um poder móbil, mas acessível. Havia, naturalmente, uma distinção entre a cura dos doentes no Antigo Testamento e a cura no Novo Testamento. Em Jesus, o homem doente era chamado a estar com, enquanto que no Antigo regime, por se acreditar cegamente na lei da retribuição, considerava-se o doente como alguém punido por Deus e, por essa razão, pecador, pois deveria ser evitado.

No Sagrado Jesus, via-se, entretanto, a imagem do bem, par excellence, capaz de destruir todas as estruturas de ‚??males‚?Ě n√£o s√≥ f√≠sicos, ps√≠quicos e espirituais, mas tamb√©m pol√≠ticos e sociais. O sagrado revelava-se, em meio a tantas diverg√™ncias, com uma dynamis diferente, onde o outro se aproxima do divino e Nele toca e deixa-se ser tocado. √? no poder do alto, do pneuma que se faz imbuir de amor pelo outro, capaz de v√™-lo, enxerg√°-lo de forma diferente e at√© mesmo de traz√™-lo para o meio que Jesus desenvolveu seu minist√©rio de curandeiro. Ao contr√°rio, o esp√≠rito do mal √© denominado akatarton, que quer dizer imundo, do verbo kath√°rio (purificar), cuja origem √© proveniente do termo √°rthos (p√£o de puro trigo), mas quando se usa o aprivativo na frente, transforma-se no adjetivo impuro (akatarton). Segundo Schiavo,

Trata-se, portanto de um esp√≠rito que pertence √† esfera divina, mas contr√°rio a Deus. Sua impureza consiste em tornar os homens incapazes de entrar em contato com Deus, incompat√≠veis com sua natureza. Tamb√©m pode ser alienante, apoderando-se do homem, despersonalizando-o, e possuindo-o. Afinal, ele representa a ideologia contr√°ria ao ser e ao projeto de Deus‚?Ě (1985, p. 80).

√?, pois, no poder do Esp√≠rito Santo, do par√°clito, que o minist√©rio salv√≠fico de Jesus pode curar, libertar e dar novas esperan√ßas √†queles que o procuravam. Os milagres acontecem por causa do poder do Esp√≠rito em Jesus. Eles s√£o divulgados por todos as regi√Ķes da Palestina e, por causa deles, os doentes se aproximam, v√™m ao encontro do Sagrado e acreditam piamente que este encontro pode transformar suas situa√ß√Ķes de ang√ļstias, mis√©rias e de exclus√£o. Tocar O e no Sagrado era garantia de cura e liberta√ß√£o, conforme testemunhavam aqueles que fizeram esta experi√™ncia e divulgavam-na. Ao fazer a experi√™ncia, muitos se tornaram ‚??novos homens‚?Ě e ‚??novas mulheres‚?Ě, alimentados tamb√©m pela for√ßa do alto, pelo poder do Esp√≠rito Santo, a ponto de sacralizar tamb√©m seus pr√≥prios corpos e ao ponto de serem chamados de ‚??templos do Esp√≠rito‚?Ě (I Cor 6, 19).

O dom incriado, chamado como gra√ßa original (Esp√≠rito Santo), conforme a tradi√ß√£o cat√≥lica e a teologia trinit√°ria, fora perdido, no G√™nese, depois do pecado de Ad√£o, ‚??uma vez que o Esp√≠rito n√£o pode habitar numa natureza corrompida e nem manter nenhuma rela√ß√£o com o mal‚?Ě (SANTANA, 2000, p. 19). Segundo este autor, ‚??os homens ca√≠ram, ent√£o, no ‚??deserto do Esp√≠rito‚?? e, em conseq√ľ√™ncia, deixam de participar da vida trinit√°ria‚?Ě (SANTANA, 2000, p. 19). Desse modo, sem a participa√ß√£o n√£o h√° como haver santidade, pois o Esp√≠rito n√£o pode habitar na corrup√ß√£o.

4. Jesus e seu Ministério Salvífico

Desde o Antigo Testamento, os curandeiros da tradi√ß√£o judaico-crist√£ eram considerados como profetas e, a fim de legitimar sua miss√£o prof√©tica, realizavam curas e milagres no meio do povo. No tempo de Jesus, a cura consistia praticamente na expuls√£o do dem√īnio, causador da doen√ßa, e no perd√£o dos pecados. A pr√°tica de expulsar dem√īnios, adquirida pelos hebreus nos ex√≠lios da Babil√īnia e do Egito, era algo comum no juda√≠smo, pois se cria que as doen√ßas eram causadas por eles, a exemplo da passagem de Mateus 12, 22-28. No vers√≠culo 28, Jesus, ao referir-se a si mesmo, assim se expressa: ‚??Mas, se √© pelo Esp√≠rito de Deus que expulso os dem√īnios, ent√£o chegou para v√≥s o Reino de Deus‚?Ě .

No contexto cultural de Jesus, a cren√ßa, para muitos, era de que havia entre Deus e Satan√°s um grande conflito espiritual. Anjos e dem√īnios travavam batalhas celestes ao passo que justos e maus esp√≠ritos e injustos repercutiam a mesma batalha terrena. Segundo Schiavo,

A vis√£o da hist√≥ria √© sempre mais manique√≠sta: Satan√°s ou Mastema pode ser adorado como um deus: ‚??ele j√° se tornou o princ√≠pio mataf√≠sico do mal, chefe de uma esp√©cie de reino, paralelo √†quele de Deus, para o qual, Deus mesmo entrega como s√ļditos, as almas dos gigantes, quer dizer dos esp√≠ritos malignos‚?? (SCHIAVO, 1985, p. 76).

Havia, em Jesus, na pr√°tica da cura das doen√ßas, uma diferen√ßa fundamental. Um poder desigual capaz de atrair, at√© mesmo, algumas pessoas importantes (Jairo, chefe da sinagoga). Seu poder consistia, pois da a√ß√£o poderosa do Esp√≠rito Santo, cujo poder fora dado aos ap√≥stolos, antes e depois da sua morte, a fim de conferir-lhes poder ‚??sobre os esp√≠ritos imundos‚?Ě (Mc 6, 7b). Os ap√≥stolos ficaram impressionados, pois os dem√īnios eram-lhes sujeitos: expeliam numerosos dem√īnios, ungiam com √≥leo a muitos enfermos e os curavam‚?Ě (Mc 6, 13).

O evangelho de Marcos, que mais se refere √†s curas e milagres e expuls√£o de dem√īnios feitas por Jesus, tamb√©m destaca, ao fim da narrativa, a import√Ęncia da continuidade da miss√£o salv√≠fica de Jesus atrav√©s dos ap√≥stolos, quando diz:

‚??ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado ser√° salvo, mas quem n√£o crer ser√° condenado. Estes milagres acompanhar√£o os que crerem: expulsar√£o os dem√īnios em meu nome, falar√£o novas l√≠nguas, manusear√£o serpentes e, se beberem algum veneno mortal, n√£o lhes far√° mal; impor√£o as m√£os aos enfermos e eles ficar√£o curados‚?Ě (Cf. Mc 16, 16-18, B√ćBLIA SAGRADA, 2000, p. 815).

5. Os Curandeiros e o dom do Espírito Santo

Os relatos de curas e de milagres s√£o continuados nos Atos dos Ap√≥stolos. Percebemos ali, in√ļmeras curas realizadas pelos ap√≥stolos, continuadores do apostolado de Jesus curandeiro. Atualmente, podemos perceber, em se tratando do Movimento Carism√°tico Cat√≥lico (MCC), alguns relatos de curas de fi√©is que, ao empenhar-se, no mesmo trajeto feito pelos personagens b√≠blicos do Novo Testamento, v√™em, na figura do milagreiro (ministro ordenado ou leigo) a presen√ßa do Sagrado, isto √©, algu√©m que declara ter recebido de Deus (ou de Jesus) o minist√©rio da cura. Estes curandeiros, amparados no enxerto b√≠blico do an√ļncio e envio apost√≥lico de Mc 16, 16-18 e, √†s vezes, pela legitimidade da igreja, dizem ser, e s√£o reconhecidos pelos fi√©is, (como) um homem escolhido por Deus para o mesmo minist√©rio de Jesus curandeiro.

Esses curandeiros exercem seu minist√©rio, a partir de um chamado pessoal ou de um encontro pessoal com Jesus, quem lhes confere um dom especial, depois do ritual do batismo no Esp√≠rito Santo, diferentemente do batismo tradicional da imers√£o na √°gua. Estes dons permitem-lhes curar enfermidades f√≠sicas, consideradas, em alguns casos, como mal, cuja origem, atribui-se ao pr√≥prio dem√īnio.

Propomo-nos, daqui em diante, analisar tr√™s testemunhos do livro ‚??H√° poder de Deus‚?Ě, do pregador e curandeiro Ironi Spuldaro, membro-leigo da Renova√ß√£o Carism√°tica Cat√≥lica, cuja autoria da obra √© dividida com Vera Casagrande, mission√°ria tamb√©m leiga.

Identificamos, no livro, dez narrativas de curas. O que nos chamou a aten√ß√£o √© que todas as curas envolvem mulheres nas mais diversas idades e s√£o elas que v√£o a busca do sagrado. H√° somente um caso (mulher possessa) que a f√© do marido, segundo o autor, √© promotora da cura do mal. No seu relato, o autor deixa claro que o seu minist√©rio fora dado por Deus, a partir de um encontro pessoal com ele e n√£o necessariamente pelos meios tradicionais e ministeriais do sacramento da ordem conferido aos presb√≠teros. Esse encontro pessoal foi marcado pelo batismo do Esp√≠rito Santo e, por essa raz√£o, sente, constantemente, vozes interiores (instru√ß√Ķes e revela√ß√Ķes) que o orienta a quem e de que formar orar para a obten√ß√£o da cura.
De acordo com Spuldaro e Casagrande (2006), a manifestação do Espírito Santo acontece quando se percebe a aparição das línguas de fogo, pois

Esta √© a miss√£o de Jesus: lan√ßar fogo sobre a terra, trazer o Esp√≠rito Santo com a sua for√ßa vivificadora, renovadora e purificadora. [...] Gostava de ouvir o padre falar da vida de Jesus, mas sempre pensava: ‚??isso foi h√° s√©culos atr√°s, parecia t√£o distante, algo imposs√≠vel nos meus dias‚?Ě. Mas, depois de viver a poderosa experi√™ncia do Batismo no Esp√≠rito Santo, o meu encontro e o meu encantamento [...] por aquele Jesus simplesmente hist√≥rico: eu agora O sentia e queria ardentemente conhece-lO cada vez mais. [E quanto a sua experi√™ncia com o sagrado]. Naquele dia eu vi de muito perto o milagre do Senhor acontecendo e fiquei muito impressionado [...] conheci o Senhor dos Milagres. O milagre nos alegra, mas o Senhor dos milagres nos leva a viver, mesmo nos momentos de cruz, uma felicidade inesgot√°vel (Grifos meus, SPULDARO & CASAGRANDE, 2006, p. 11, 14-15).

Segundo Ironi (SPULDARO; CASAGRANDE, 2006), ao interpretar o excerto b√≠blico de Marcos cap√≠tulo 16, 16-18, diz que fora Jesus quem d√° autoridade para curar os enfermos, justamente quando se imp√Ķem as m√£os sobre eles e eles ficam seguramente curados. Em seu livro, direcionado n√£o s√≥ √†queles que participam do movimento, mas tamb√©m ao p√ļblico em geral, o autor encoraja outros a fazer como ele fez: assumir as palavras de Jesus, uma vez que ele deu seu ‚??poder de pisar serpentes, escorpi√Ķes e todo o poder do inimigo‚?Ě, a todo aquele que quiser e buscar.

Em outro momento, assegura-nos que ‚??[...] o dem√īnio tamb√©m costuma agir ‚??ostensivamente‚?? e algumas enfermidades f√≠sicas ou ps√≠quicas podem ser obra sua, numa tentativa de nos submeter ao seu jugo, minando a nossa f√© e nos impedindo de executar a vontade de Deus‚?Ě (SPULDARO; CASAGRANDE, 2006, p. 25).

E mais adiante, em di√°logo com o leitor,

A era dos milagres n√£o acabou. [...] Ele pode curar voc√™. Ele est√° vivo e hoje se manifesta em sua vida de uma forma tremenda j√° fez um raio X de voc√™. Ele sabe onde est√° a sua dor e a sua enfermidade Ele quer te curar. [...] Temos visto Deus realizar muitos milagres, nos ossos, m√ļsculos, nervos ou qualquer outra parte do corpo humano. Tudo isso e muitas outras curas e b√™n√ß√£os s√£o presentes gratuitos de Deus, realizado em Nome de Jesus Cristo‚?Ě (SPULDARO; CASAGRANDE, 2006, p. 58-9).

O primeiro testemunho, analisado por n√≥s, diz respeito a ‚??uma determinada pessoa‚?Ě, cuja descri√ß√£o nos indica ser uma mulher. Segundo o autor, ele sentiu uma mo√ß√£o interior e resolveu ligar para a ‚??determinada pessoa‚?Ě, a fim de convid√°-la a um encontro de Cura e Liberta√ß√£o, onde ele seria o pregador. Percebe-se, certamente, uma aproximidade entre o pregador e a referida pessoa. Ironi Spuldaro usa assim como em algumas exorta√ß√Ķes de Cristo, palavras encorajadas ao falar com a senhora: ‚??olha minha irm√£ o Senhor deseja te curar sinto que Ele quer que voc√™ esteja no encontro‚?Ě (SPULDARO; CASAGRANDE, 2006, p. 60).

Segundo o autor, ele n√£o conhecia em detalhes os problemas da mulher, a n√£o ser que ela tinha um c√Ęncer. No encontro, atrav√©s de uma voz interior, que o pregador atribui √† a√ß√£o do Esp√≠rito Santo, e √© proclamada para a assembl√©ia, foi direcionada a mulher e esta a √ļltima pessoa a ser curada milagrosamente naquele encontro. Depois de algum tempo, ap√≥s o an√ļncio de cura, a mulher procura o m√©dico que, inclusive, foi o mesmo que havia feito a cirurgia nela. De acordo com o m√©dico, respaldados em novos exames, os √≥rg√£os (o est√īmago, a ves√≠cula, o ba√ßo e parte do p√Ęncreas), retirados em cirurgia, estavam todos novamente em seus devidos lugares. Segundo Ironi, recordando o relato da mulher, assim expressou-se o m√©dico com voz vacilante: ‚??Senhora, simplesmente n√£o sei explicar o que aconteceu... a senhora tem um est√īmago novinho aqui... todos os √≥rg√£os est√£o aqui direitinho inclusive aqueles que eu mesmo havia retirado. E n√£o h√° mais c√Ęncer algum! ‚?Ě.

O Segundo testemunho n√£o se refere, em especial, a uma cura f√≠sica, mas, sobretudo, ps√≠quico-emocional. Segundo o autor, quando pregava um retiro em S√£o Paulo, foi procurado por uma senhora que lhe insistia que fosse orar pelo seu ‚??filhinho‚?Ě que estava preso e condenado a mais de cem anos de pris√£o por assassinatos e roubos. Ele era considerado muito perigoso. Sem saber maiores detalhes acerca do filho daquela senhora, ele decide rezar pelo ‚??menino‚?Ě. Ao chegar √† penitenciaria, √© alertado pelos carcereiros a n√£o entrar na cela, pois ‚??ele era t√£o perigoso que vivia numa cela isolada e nem mesmo os guardas tinham coragem de sequer chegar pr√≥ximo √†s grades. Havia dias em que nem mesmo sua m√£e entrava para falar com ele e sua apar√™ncia j√° era a de um animal, n√£o mais de um homem‚?Ě (p. 70). Segundo o pregador-curadeiro, ao entrar na cela, percebe, quase que de imediato, o poder de Deus agindo, e transformando aquele homem, ao ponto de, no futuro, embora n√£o ganhando a liberdade, tornar-se um grande pregador da palavra de Deus. A partir dessa experi√™ncia, o prisioneiro funda, naquela penitenci√°ria, um grupo de ora√ß√£o, no qual exerce a fun√ß√£o de l√≠der espiritual. Na vis√£o de Ironi (SPULDARO; CASAGRANDE, 2006), esse foi, sem d√ļvidas, um dos grandes milagres operados por Deus a partir de seu minist√©rio.

O terceiro testemunho, diz respeito √† cura de uma mulher que sofria de uma possess√£o demon√≠aca h√° mais de dez anos e que, por conta desse fato, encontrava-se, h√° tr√™s anos, numa cadeira de rodas. Sua situa√ß√£o era insuport√°vel ao ponto de ser levada pelo marido ao encontro de cura e liberta√ß√£o realizado no Paraguai, no Congresso Carism√°tico CONESUL, em 2005. Aqui, a manifesta√ß√£o de f√© √© do marido e, a partir da narra√ß√£o, percebemos que √© ele quem, primeiramente, deseja que a esposa seja curada, pois, segundo o autor, ‚??ele acreditou que a gl√≥ria de Deus seria manifestada em sua esposa pela Palavra anunciada‚?Ě (SPULDARO; CASAGRANDE, 2006, p. 49). Ap√≥s a ora√ß√£o, a mulher fora curada, levantou-se da cadeira de rodas e, conforme narra√ß√£o, dan√ßou diante da assembl√©ia, totalmente liberta‚?Ě (SPUDARO; CASAGRANDE, 2006, p. 49). Segundo o autor, ‚??Jesus n√£o s√≥ morreu para salvar os pecadores que somos n√≥s, mas tamb√©m para curar os doentes, dar liberdade aos cativos e oprimidos pelo dem√īnio‚?Ě (SPULDARO; CASAGRANDE, 2006, p. 58).

6. Considera√ß√Ķes Finais

Pudemos perceber, a partir da descri√ß√£o das narrativas de curas, que a dynamis de Deus, isto √©, o mesmo poder curador de Jesus (Esp√≠rito Santo ou pneuma) continua operando, segundo os relatos crentes, curas milagrosas naqueles que se deixam conduzir pela mesma miss√£o salv√≠fica de Cristo e movidos pela f√© s√£o capazes de ir ao encontro (√† procura) do sagrado e colocar, na pessoa do milagreiro, toda a sua esperan√ßa de salva√ß√£o. Esse movimento de ir √† busca do Sagrado, percebido nas tr√™s narrativas (a mulher com c√Ęncer, a mulher que pede para orar pelo seu ‚??filhinho‚?Ě, e a mulher possessa de dem√īnios) se d√° quando √© despertado, no mais √≠ntimo das pessoas, o desejo de ser curado por aquele que pode curar (o milagreiro) e, consequentemente, poder ser libertado do mal que o amea√ßa.

Essa valorização dos milagres, por parte de quem os procuram, faz deles, para o nosso tempo, semelhantemente o tempo de Jesus, verdadeiros mestres espirituais ou mistagogos, cujo papel é iniciar e conduzir as pessoas a uma experiência com os mistérios do sagrado, com o poder divino do pneuma, ao ponto de obter a cura para seus males, sejam eles físicos, mentais ou espirituais.

Um dado importante √© que as doen√ßas, em alguns casos, s√£o consideradas para o milagreiro pesquisado, manifesta√ß√£o do mal, pois √©, a partir da presen√ßa do pecado original que sobreveio √† natureza humana toda sorte de sofrimento e dor. Isso evidencia que, embora o contexto cultural no qual vivemos seja determinantemente outro, a simbologia do mal, herdada da cultura judaico-crist√£, ainda √© bastante forte no catolicismo popular. O dem√īnio ainda √© visto como um deus ca√≠do ou a pr√≥pria ant√≠tese de Deus e, por isso, autor das mais diversas doen√ßas do imagin√°rio popular, tanto que, nelas, pode ser melhor caracterizado.

Outro dado observado √© que os milagreiros, a exemplo de Jesus, t√™m fortes tend√™ncias √† sensibilidade humana, demonstrando, em seus escritos sentimentos de compaix√£o e de ternura por aqueles que sofrem, ao ponto de ir ao seu encontro, o que percebemos na segunda narrativa analisada; e, na primeira, quando amparado em uma intui√ß√£o pessoal, o pregador vai √† busca atrav√©s de uma liga√ß√£o telef√īnica da amiga, cuja descri√ß√£o do mal era de uma doen√ßa cancer√≠gena, assemelhando-se a uma ‚??ovelha que sofre‚?Ě das narrativas b√≠blicas do Novo Testamento.

H√°, com efeito, a aceita√ß√£o de que algumas doen√ßas procedem do dem√īnio que, de acordo com o autor (SPULDARO; CASAGRANDE, 2006), age ‚??ostensivamente‚?Ě em enfermidades f√≠sicas ou ps√≠quicas que, inclusive, podem ser obras malignas. Por outro lado, nem todas as enfermidades devem ser atribu√≠das aos dem√īnios, pois, conforme nossa an√°lise, algumas doen√ßas ‚??t√™m origem psicossom√°tica‚?Ě; outras consideradas ocasionais. Entretanto, evidenciou-se que, na an√°lise das tr√™s narrativas de curas, n√£o √© Deus o autor ou quem manda as enfermidades, mas elas se originam do autor do mal, isto √©, de satan√°s.

Segundo Catalan (1999), ‚??quem sofre j√° n√£o consegue se entender e nem sabe como expressar o que lhe acontece. Por vezes, se desespera, e tem a sensa√ß√£o de estar perdido, em todos os sentidos da palavra‚?Ě (p. 144). Finalmente, ao encontrar-se com o sagrado, a pessoa acaba reencontrando-se. O mundo de caos e de desordem passa, agora, para uma nova realidade, para um estado de nomia ou de sentido.

Na caminhada rumo ao Sagrado pela busca da cura, surge a f√© como pot√™ncia de salva√ß√£o e de sa√ļde, demonstrando que a religi√£o exerce sua fun√ß√£o terap√™utica, n√£o somente em rela√ß√£o √† ‚??sa√ļde espiritual, mas tamb√©m de sa√ļde ps√≠quica e f√≠sica. E isto √© verdadeiro em diversas √°reas religiosas como particularmente no cristianismo‚?Ě (CATALAN, 1999, p. 135-36). √? luz desses fatos, n√£o podemos negar √† religi√£o seu poder terap√™utico que transcende o tempo. As curas tornam-se, atualmente, evid√™ncias n√£o t√£o excepcionais como pens√°vamos, a princ√≠pio. De fato, a doen√ßa √© certamente um mal capaz de desestruturar a vida do ser humano que √© uno, integral. Esse mal, chamado doen√ßa, n√£o s√≥ pode atingir o humano em sua dimens√£o corporal (doen√ßas f√≠sicas), mas tamb√©m espiritual (psicol√≥gica, moral). As curas milagrosas funcionam como sinais de salva√ß√£o e da presen√ßa do sagrado e, consequentemente, uma aus√™ncia do mal, na hist√≥ria do cristianismo. ‚??Esses milagres acompanhar√£o os que crerem: expulsar√£o os dem√īnios em meu nome...‚?Ě (Mc 16, 17a). Desse modo, curar o doente significa exercer a fun√ß√£o social da cura de Deus por meio da m√£o humana, leva-lo a uma experi√™ncia profunda com o Sagrado, restituindo a dignidade humana da pessoa muitas vezes desacreditada em rela√ß√£o √†s institui√ß√Ķes pol√≠tica, econ√īmica e sociais.