Uma janela sobre o mundo bíblico

Em algumas traduções de Levítico 3,2 está escrito que era o ofertante que matava o animal, outras ao invés dão a entender que eram os sacerdotes. Qual é a correta?



  • Pergunta de Filipe Felgueiras , Lisboa
  • 498
  • 26/06/2019
Luiz da Rosa

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Assim diz Levíticos 3,2, segundo a Bíblia de Jerusalém:

Colocará a mão sobre a cabeça da vítima e a imolará à entrada da Tenda da Reunião. Em seguida os filhos de Aarão, os sacerdotes, derramarão o sangue sobre o altar, em redor.

Como nessa versão, também o original em hebraico traz um verbo com sujeito oculto, na terceira pessoa: "ele". Do contexto resulta evidente que quem imola o animal é a pessoa que o oferece a Deus.

Lendo Levíticos 17, onde encontramos detalhes sobre imolações e sacrifícios, deduzimos que era normal que qualquer pessoa matasse os animais para o sacrifício. Era, porém, reservado ao sacerdote o derramar o sangue da vítima sobre o altar e queimar a gordura, que era vista como perfume oferecido ao Senhor (Levíticos 17,6).

Para nós é muito difícil entender a lógica dos sacrifícios, pois somos acostumados a ler passagens históricas com os "óculos" de hoje, com o raciocínio de hoje. No contexto daquele tempo, o sacrifício animal era uma atividade religiosa difundida em vários contextos e assim faziam também os hebreus. Essa realidade faz parte da revelação, que usa a história como local para fazer conhecer ao povo quem é verdadeiramente Deus.

Aos poucos se aprende que aquilo que desjea Deus não é o sacrifício de animais, mas a doação da própria pessoa a Deus, através da consagração de suas ações.

Há várias passagens que mostram esse processo, que podem ser sintetizadas em textos como esse de Isaías 1,11-15:

Que me interessa a quantidade dos seus sacrifícios? - diz Javé. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de novilhos. Não gosto do sangue de bois, carneiros e cabritos. Quando vocês vêm à minha presença e pisam meus átrios, quem exige algo da mão de vocês? Parem de trazer ofertas inúteis. O incenso é coisa nojenta para mim; luas novas, sábados, assembléias... não suporto injustiça junto com solenidade. Eu detesto suas luas novas e solenidades. Para mim se tornaram um peso que eu não suporto mais. Quando vocês erguem para mim as mãos, eu desvio o meu olhar; ainda que multipliquem as orações, eu não escutarei. As mãos de vocês estão cheias de sangue.

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