Uma janela sobre o mundo bíblico

Tenho práticas relacionadas à drogas e pornografia, mas não é um vício ainda... O batismo me ajuda?



  • Pergunta de Estevão Botelho Amaral, Santos
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  • 21/06/2019
Luiz da Rosa

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A pergunta é um pouco mais elaborada e diz assim:

Tenho práticas relacionadas a drogas e pornografia ,não é um vício ainda... Tenho consciência que é errado e tenho vontade de parar, porém fica difícil no meio que convivo... Mesmo assim, queria me batizar pra me sentir mais próximo de Jesus e assim ter algo a mais para eu melhorar. Não frequento uma igreja... Vou na igreja a cada ano e cada vez em uma diferente... Devo me batizar, mesmo assim?

 

Muitas pessoas veem o batismo como algo mágico, uma arma que ti ajuda a combater o mal, o demônio, o pecado. Você está muito próximo dessa visão. Ao invés, essa não é a compreensão exata do Batismo.

Para começo de conversa, para entender a sua natureza, queria citar esse texto de Gregório de Nazianzo:

«O Batismo é o mais belo e magnífico dos dons de Deus [...] Chamamos-lhe dom, graça, unção, iluminação, veste de incorruptibilidade, banho de regeneração, selo e tudo o que há de mais precioso. Dom, porque é conferido àqueles que não trazem nada: graça, porque é dado mesmo aos culpados: batismo, porque o pecado é sepultado nas águas; unção, porque é sagrado e régio (como aqueles que são ungidos); iluminação, porque é luz irradiante; veste, porque cobre a nossa vergonha; banho, porque lava; selo, porque nos guarda e é sinal do senhorio de Deus».

Pelo Batismo somos libertos do pecado e regenerados como filhos de Deus: tornamo-nos membros de Cristo e somos incorporados na Igreja e tornados participantes na sua missão.

Também o nome é simbólico. Chama-se Batismo, por causa do rito central com que se realiza: baptizar (baptizeis, em grego) significa «mergulhar», «imergir». A «imersão» na água simboliza a sepultura do catecúmeno na morte de Cristo, de onde sai pela ressurreição com Ele como «nova criatura».

Em outras palavras, o Batismo produz um efeito, um sinal que não se cancela, que é a adesão a Cristo. Isso dura pra toda a vida, é indelével. É por isso que não faz sentido se batizar várias vezes. É abraçar a graça de Deus, acolher o dom da salvação.

Ao mesmo tempo, como dizia acima, não é algo mágico. Mesmo batizado, ser nova criatura exige um esforço contínuo, um recomeçar a cada dia, uma luta constante, uma corrida para alcançar a meta, já conquistada por Cristo e dada a nós.

 

Respondendo diretamente ao seu caso

Na tradição da Igreja, desde os primórdios, para o batismo existe um processo. Não é negado a ninguém, mas se exige conversão. Isso é evidente já na igreja nascente. Com efeito, São Pedro declara à multidão, abalada pela sua pregação:

«convertei-vos e peça cada um de vós o Batismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo» (Act 2, 38).

Desde o tempo dos Apóstolos que tornar-se cristão requer um caminho e uma iniciação com diversas etapas. Este itinerário pode ser percorrido rápida ou lentamente. Mas deverá sempre incluir certos elementos essenciais: o anúncio da Palavra, o acolhimento do Evangelho que implica a conversão, a profissão de fé, o Batismo, a efusão do Espírito Santo, o acesso à comunhão eucarística.

Se não existe esse caminho, não existe uma disposição ao batismo e busca-lo é incoerente.

Primeiro procure uma conversão sincera, uma adesão à Palavra de Deus. Isso se conquista mais facilmente participando de uma comunidade, que é o sinal de Deus no meio de nós. Faça um percurso nessa comunidade. Então, se for sua escolha, peça o batismo.

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