Uma janela sobre o mundo bíblico

João


João 9



  1. E passando Jesus, viu um homem cego de nascença.
  2. Então Jó respondeu, dizendo:
  3. Perguntaram-lhe os seus discípulos: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?
  4. Na verdade sei que assim é; mas como pode o homem ser justo para com Deus?
  5. Respondeu Jesus: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus.
  6. Se alguém quisesse contender com ele, não lhe poderia responder uma vez em mil.
  7. Importa que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar.
  8. Ele é sábio de coração e poderoso em forças; quem se endureceu contra ele, e ficou seguro?
  9. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.
  10. Ele é o que remove os montes, sem que o saibam, e os transtorna no seu furor;
  11. Dito isto, cuspiu no chão e com a saliva fez lodo, e untou com lodo os olhos do cego,
  12. o que sacode a terra do seu lugar, de modo que as suas colunas estremecem;
  13. e disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa Enviado). E ele foi, lavou-se, e voltou vendo.
  14. o que dá ordens ao sol, e ele não nasce; o que sela as estrelas;
  15. Então os vizinhos e aqueles que antes o tinham visto, quando mendigo, perguntavam: Não é este o mesmo que se sentava a mendigar?
  16. o que sozinho estende os céus, e anda sobre as ondas do mar;
  17. Uns diziam: É ele. E outros: Não é, mas se parece com ele. Ele dizia: Sou eu.
  18. o que fez a ursa, o Oriom, e as Plêiades, e as recâmaras do sul;
  19. Perguntaram-lhe, pois: Como se te abriram os olhos?
  20. o que faz coisas grandes e insondáveis, e maravilhas que não se podem contar.
  21. Respondeu ele: O homem que se chama Jesus fez lodo, untou-me os olhos, e disse-me: Vai a Siloé e lava-te. Fui, pois, lavei-me, e fiquei vendo.
  22. Eis que ele passa junto a mim, e, não o vejo; sim, vai passando adiante, mas não o percebo.
  23. E perguntaram-lhe: Onde está ele? Respondeu: Não sei.
  24. Eis que arrebata a presa; quem o pode impedir? Quem lhe dirá: Que é o que fazes?
  25. Levaram aos fariseus o que fora cego.
  26. Deus não retirará a sua ira; debaixo dele se curvaram os aliados de Raabe;
  27. Ora, era sábado o dia em que Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos.
  28. quanto menos lhe poderei eu responder ou escolher as minhas palavras para discutir com ele?
  29. Então os fariseus também se puseram a perguntar-lhe como recebera a vista. Respondeu-lhes ele: Pôs-me lodo sobre os olhos, lavei-me e vejo.
  30. Embora, eu seja justo, não lhe posso responder; tenho de pedir misericórdia ao meu juiz.
  31. Por isso alguns dos fariseus diziam: Este homem não é de Deus; pois não guarda o sábado. Diziam outros: Como pode um homem pecador fazer tais sinais? E havia dissensão entre eles.
  32. Ainda que eu chamasse, e ele me respondesse, não poderia crer que ele estivesse escutando a minha voz.
  33. Tornaram, pois, a perguntar ao cego: Que dizes tu a respeito dele, visto que te abriu os olhos? E ele respondeu: É profeta.
  34. Pois ele me quebranta com uma tempestade, e multiplica as minhas chagas sem causa.
  35. Os judeus, porém, não acreditaram que ele tivesse sido cego e recebido a vista, enquanto não chamaram os pais do que fora curado,
  36. Não me permite respirar, antes me farta de amarguras.
  37. e lhes perguntaram: É este o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como, pois, vê agora?
  38. Se fosse uma prova de força, eis-me aqui, diria ele; e se fosse questão de juízo, quem o citaria para comparecer?
  39. Responderam seus pais: Sabemos que este é o nosso filho, e que nasceu cego;
  40. Ainda que eu fosse justo, a minha própria boca me condenaria; ainda que eu fosse perfeito, então ela me declararia perverso:
  41. mas como agora vê, não sabemos; ou quem lhe abriu os olhos, nós não sabemos; perguntai a ele mesmo; tem idade; ele falará por si mesmo.
  42. Eu sou inocente; não estimo a mim mesmo; desprezo a minha vida.
  43. Isso disseram seus pais, porque temiam os judeus, porquanto já tinham estes combinado que se alguém confessasse ser Jesus o Cristo, fosse expulso da sinagoga.
  44. Tudo é o mesmo, portanto digo: Ele destrói o reto e o ímpio.
  45. Por isso é que seus pais disseram: Tem idade, perguntai-lho a ele mesmo.
  46. Quando o açoite mata de repente, ele zomba da calamidade dos inocentes.
  47. Então chamaram pela segunda vez o homem que fora cego, e lhe disseram: Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador.
  48. A terra está entregue nas mãos do ímpio. Ele cobre o rosto dos juízes; se não é ele, quem é, logo?
  49. Respondeu ele: Se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego, e agora vejo.
  50. Ora, os meus dias são mais velozes do que um correio; fogem, e não vêem o bem.
  51. Perguntaram-lhe pois: Que foi que te fez? Como te abriu os olhos?
  52. Eles passam como balsas de junco, como águia que se lança sobre a presa.
  53. Respondeu-lhes: Já vo-lo disse, e não atendestes; para que o quereis tornar a ouvir? Acaso também vós quereis tornar-vos discípulos dele?
  54. Se eu disser: Eu me esquecerei da minha queixa, mudarei o meu aspecto, e tomarei alento;
  55. Então o injuriaram, e disseram: Discípulo dele és tu; nós porém, somos discípulos de Moisés.
  56. então tenho pavor de todas as minhas dores; porque bem sei que não me terás por inocente.
  57. Sabemos que Deus falou a Moisés; mas quanto a este, não sabemos donde é.
  58. Eu serei condenado; por que, pois, trabalharei em vão?
  59. Respondeu-lhes o homem: Nisto, pois, está a maravilha: não sabeis donde ele é, e entretanto ele me abriu os olhos;
  60. Se eu me lavar com água de neve, e limpar as minhas mãos com sabão,
  61. sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém for temente a Deus, e fizer a sua vontade, a esse ele ouve.
  62. mesmo assim me submergirás no fosso, e as minhas próprias vestes me abominarão.
  63. Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença.
  64. Porque ele não é homem, como eu, para eu lhe responder, para nos encontrarmos em juízo.
  65. Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer.
  66. Não há entre nós árbitro para pôr a mão sobre nós ambos.
  67. Replicaram-lhe eles: Tu nasceste todo em pecados, e vens nos ensinar a nós? E expulsaram-no.
  68. Tire ele a sua vara de cima de mim, e não me amedronte o seu terror;
  69. Soube Jesus que o haviam expulsado; e achando-o perguntou-lhe: Crês tu no Filho do homem?
  70. então falarei, e não o temerei; pois eu não sou assim em mim mesmo.
  71. Respondeu ele: Quem é, senhor, para que nele creia?
  72. Disse-lhe Jesus: Já o viste, e é ele quem fala contigo.
  73. Disse o homem: Creio, Senhor! E o adorou.
  74. Prosseguiu então Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos.
  75. Alguns fariseus que ali estavam com ele, ouvindo isso, perguntaram-lhe: Porventura somos nós também cegos?
  76. Respondeu-lhes Jesus: Se fosseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Nós vemos, permanece o vosso pecado.

João