Uma janela sobre o mundo bíblico

João


João 7



  1. Depois disto andava Jesus pela Galiléia; pois não queria andar pela Judéia, porque os judeus procuravam matá-lo.
  2. Porventura não tem o homem duro serviço sobre a terra? E não são os seus dias como os do jornaleiro?
  3. Ora, estava próxima a festa dos judeus, a dos tabernáculos.
  4. Como o escravo que suspira pela sombra, e como o jornaleiro que espera pela sua paga,
  5. Disseram-lhe, então, seus irmãos: Retira-te daqui e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes.
  6. assim se me deram meses de escassez, e noites de aflição se me ordenaram.
  7. Porque ninguém faz coisa alguma em oculto, quando procura ser conhecido. Já que fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo.
  8. Havendo-me deitado, digo: Quando me levantarei? Mas comprida é a noite, e farto-me de me revolver na cama até a alva.
  9. Pois nem seus irmãos criam nele.
  10. A minha carne se tem vestido de vermes e de torrões de pó; a minha pele endurece, e torna a rebentar-se.
  11. Disse-lhes, então, Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo; mas o vosso tempo sempre está presente.
  12. Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e chegam ao fim sem esperança.
  13. O mundo não vos pode odiar; mas ele me odeia a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más.
  14. Lembra-te de que a minha vida é um sopro; os meus olhos não tornarão a ver o bem.
  15. Subi vós à festa; eu não subo ainda a esta festa, porque ainda não é chegado o meu tempo.
  16. Os olhos dos que agora me vêem não me verão mais; os teus olhos estarão sobre mim, mas não serei mais.
  17. E, havendo-lhes dito isto, ficou na Galiléia.
  18. Tal como a nuvem se desfaz e some, aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir.
  19. Mas quando seus irmãos já tinham subido à festa, então subiu ele também, não publicamente, mas como em secreto.
  20. Nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar o conhecerá mais.
  21. Ora, os judeus o procuravam na festa, e perguntavam: Onde está ele?
  22. Por isso não reprimirei a minha boca; falarei na angústia do meu espírito, queixar-me-ei na amargura da minha alma.
  23. E era grande a murmuração a respeito dele entre as multidões. Diziam alguns: Ele é bom. Mas outros diziam: não, antes engana o povo.
  24. Sou eu o mar, ou um monstro marinho, para que me ponhas uma guarda?
  25. Todavia ninguém falava dele abertamente, por medo dos judeus.
  26. Quando digo: Confortar-me-á a minha cama, meu leito aliviará a minha queixa,
  27. Estando, pois, a festa já em meio, subiu Jesus ao templo e começou a ensinar.
  28. então me espantas com sonhos, e com visões me atemorizas;
  29. Então os judeus se admiravam, dizendo: Como sabe este letras, sem ter estudado?
  30. de modo que eu escolheria antes a estrangulação, e a morte do que estes meus ossos.
  31. Respondeu-lhes Jesus: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.
  32. A minha vida abomino; não quero viver para sempre; retira-te de mim, pois os meus dias são vaidade.
  33. Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, há de saber se a doutrina é dele, ou se eu falo por mim mesmo.
  34. Que é o homem, para que tanto o engrandeças, e ponhas sobre ele o teu pensamento,
  35. Quem fala por si mesmo busca a sua própria glória; mas o que busca a glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça.
  36. e cada manhã o visites, e cada momento o proves?
  37. Não vos deu Moisés a lei? no entanto nenhum de vós cumpre a lei. Por que procurais matar-me?
  38. Até quando não apartarás de mim a tua vista, nem me largarás, até que eu possa engolir a minha saliva?
  39. Respondeu a multidão: Tens demônio; quem procura matar-te?
  40. Se peco, que te faço a ti, ó vigia dos homens? Por que me fizeste alvo dos teus dardos? Por que a mim mesmo me tornei pesado?
  41. Replicou-lhes Jesus: Uma só obra fiz, e todos vós admirais por causa disto.
  42. Por que me não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniqüidade? Pois agora me deitarei no pó; tu me buscarás, porém eu não serei mais.
  43. Moisés vos ordenou a circuncisão (não que fosse de Moisés, mas dos pais), e no sábado circuncidais um homem.
  44. Ora, se um homem recebe a circuncisão no sábado, para que a lei de Moisés não seja violada, como vos indignais contra mim, porque no sábado tornei um homem inteiramente são?
  45. Não julgueis pela aparência mas julgai segundo o reto juízo.
  46. Diziam então alguns dos de Jerusalém: Não é este o que procuram matar?
  47. E eis que ele está falando abertamente, e nada lhe dizem. Será que as autoridades realmente o reconhecem como o Cristo?
  48. Entretanto sabemos donde este é; mas, quando vier o Cristo, ninguém saberá donde ele é.
  49. Jesus, pois, levantou a voz no templo e ensinava, dizendo: Sim, vós me conheceis, e sabeis donde sou; contudo eu não vim de mim mesmo, mas aquele que me enviou é verdadeiro, o qual vós não conheceis.
  50. Mas eu o conheço, porque dele venho, e ele me enviou.
  51. Procuravam, pois, prendê-lo; mas ninguém lhe deitou as mãos, porque ainda não era chegada a sua hora.
  52. Contudo muitos da multidão creram nele, e diziam: Será que o Cristo, quando vier, fará mais sinais do que este tem feito?
  53. Os fariseus ouviram a multidão murmurar estas coisas a respeito dele; e os principais sacerdotes e os fariseus mandaram guardas para o prenderem.
  54. Disse, pois, Jesus: Ainda um pouco de tempo estou convosco, e depois vou para aquele que me enviou.
  55. Vós me buscareis, e não me achareis; e onde eu estou, vós não podeis vir.
  56. Disseram, pois, os judeus uns aos outros: Para onde irá ele, que não o acharemos? Irá, porventura, à Dispersão entre os gregos, e ensinará os gregos?
  57. Que palavra é esta que disse: Buscar-me-eis, e não me achareis; e, Onde eu estou, vós não podeis vir?
  58. Ora, no seu último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim e beba.
  59. Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva.
  60. Ora, isto ele disse a respeito do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito ainda não fora dado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.
  61. Então alguns dentre o povo, ouvindo essas palavras, diziam: Verdadeiramente este é o profeta.
  62. Outros diziam: Este é o Cristo; mas outros replicavam: Vem, pois, o Cristo da Galiléia?
  63. Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi, e de Belém, a aldeia donde era Davi?
  64. Assim houve uma dissensão entre o povo por causa dele.
  65. Alguns deles queriam prendê-lo; mas ninguém lhe pôs as mãos.
  66. Os guardas, pois, foram ter com os principais dos sacerdotes e fariseus, e estes lhes perguntaram: Por que não o trouxestes?
  67. Responderam os guardas: Nunca homem algum falou assim como este homem.
  68. Replicaram-lhes, pois, os fariseus: Também vós fostes enganados?
  69. Creu nele porventura alguma das autoridades, ou alguém dentre os fariseus?
  70. Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita.
  71. Nicodemos, um deles, que antes fora ter com Jesus, perguntou-lhes:
  72. A nossa lei, porventura, julga um homem sem primeiro ouvi-lo e ter conhecimento do que ele faz?
  73. Responderam-lhe eles: És tu também da Galiléia? Examina e vê que da Galiléia não surge profeta.
  74. [E cada um foi para sua casa.

João