Uma janela sobre o mundo bíblico

João


João 6



  1. Depois disto partiu Jesus para o outro lado do mar da Galiléia, também chamado de Tiberíades.
  2. Então Jó, respondendo, disse:
  3. E seguia-o uma grande multidão, porque via os sinais que operava sobre os enfermos.
  4. Oxalá de fato se pesasse a minha mágoa, e juntamente na balança se pusesse a minha calamidade!
  5. Subiu, pois, Jesus ao monte e sentou-se ali com seus discípulos.
  6. Pois, na verdade, seria mais pesada do que a areia dos mares; por isso é que as minhas palavras têm sido temerárias.
  7. Ora, a páscoa, a festa dos judeus, estava próxima.
  8. Porque as flechas do Todo-Poderoso se cravaram em mim, e o meu espírito suga o veneno delas; os terrores de Deus se arregimentam contra mim.
  9. Então Jesus, levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão vinha ter com ele, disse a Felipe: Onde compraremos pão, para estes comerem?
  10. Zurrará o asno montês quando tiver erva? Ou mugirá o boi junto ao seu pasto?:
  11. Mas dizia isto para o experimentar; pois ele bem sabia o que ia fazer.
  12. Pode se comer sem sal o que é insípido? Ou há gosto na clara do ovo?
  13. Respondeu-lhe Felipe: Duzentos denários de pão não lhes bastam, para que cada um receba um pouco.
  14. Nessas coisas a minha alma recusa tocar, pois são para mim qual comida repugnante.
  15. Ao que lhe disse um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro:
  16. Quem dera que se cumprisse o meu rogo, e que Deus me desse o que anelo!
  17. Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantos?
  18. que fosse do agrado de Deus esmagar-me; que soltasse a sua mão, e me exterminasse!
  19. Disse Jesus: Fazei reclinar-se o povo. Ora, naquele lugar havia muita relva. Reclinaram-se aí, pois, os homens em número de quase cinco mil.
  20. Isto ainda seria a minha consolação, e exultaria na dor que não me poupa; porque não tenho negado as palavras do Santo.
  21. Jesus, então, tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos que estavam reclinados; e de igual modo os peixes, quanto eles queriam.
  22. Qual é a minha força, para que eu espere? Ou qual é o meu fim, para que me porte com paciência?
  23. E quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca.
  24. É a minha força a força da pedra? Ou é de bronze a minha carne?
  25. Recolheram-nos, pois e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido.
  26. Na verdade não há em mim socorro nenhum. Não me desamparou todo o auxílio eficaz?
  27. Vendo, pois, aqueles homens o sinal que Jesus operara, diziam: este é verdadeiramente o profeta que havia de vir ao mundo.
  28. Ao que desfalece devia o amigo mostrar compaixão; mesmo ao que abandona o temor do Todo-Poderoso.
  29. Percebendo, pois, Jesus que estavam prestes a vir e levá-lo à força para o fazerem rei, tornou a retirar-se para o monte, ele sozinho.
  30. Meus irmãos houveram-se aleivosamente, como um ribeiro, como a torrente dos ribeiros que passam,
  31. Ao cair da tarde, desceram os seus discípulos ao mar;
  32. os quais se turvam com o gelo, e neles se esconde a neve;
  33. e, entrando num barco, atravessavam o mar em direção a Cafarnaum; enquanto isso, escurecera e Jesus ainda não tinha vindo ter com eles;
  34. no tempo do calor vão minguando; e quando o calor vem, desaparecem do seu lugar.
  35. ademais, o mar se empolava, porque soprava forte vento.
  36. As caravanas se desviam do seu curso; sobem ao deserto, e perecem.
  37. Tendo, pois, remado uns vinte e cinco ou trinta estádios, viram a Jesus andando sobre o mar e aproximando-se do barco; e ficaram atemorizados.
  38. As caravanas de Tema olham; os viandantes de Sabá por eles esperam.
  39. Mas ele lhes disse: Sou eu; não temais.
  40. Ficam envergonhados por terem confiado; e, chegando ali, se confundem.
  41. Então eles de boa mente o receberam no barco; e logo o barco chegou à terra para onde iam.
  42. Agora, pois, tais vos tornastes para mim; vedes a minha calamidade e temeis.
  43. No dia seguinte, a multidão que ficara no outro lado do mar, sabendo que não houvera ali senão um barquinho, e que Jesus não embarcara nele com seus discípulos, mas que estes tinham ido sós
  44. Acaso disse eu: Dai-me um presente? Ou: Fazei-me uma oferta de vossos bens?
  45. (contudo, outros barquinhos haviam chegado a Tiberíades para perto do lugar onde comeram o pão, havendo o Senhor dado graças);
  46. Ou: Livrai-me das mãos do adversário? Ou: Resgatai-me das mãos dos opressores ?
  47. quando, pois, viram que Jesus não estava ali nem os seus discípulos, entraram eles também nos barcos, e foram a Cafarnaum, em busca de Jesus.
  48. Ensinai-me, e eu me calarei; e fazei-me entender em que errei.
  49. E, achando-o no outro lado do mar, perguntaram-lhe: Rabi, quando chegaste aqui?
  50. Quão poderosas são as palavras da boa razão! Mas que é o que a vossa argüição reprova?
  51. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que me buscais, não porque vistes sinais, mas porque comestes do pão e vos saciastes.
  52. Acaso pretendeis reprovar palavras, embora sejam as razões do desesperado como vento?
  53. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; pois neste, Deus, o Pai, imprimiu o seu selo.
  54. Até quereis lançar sortes sobre o órfão, e fazer mercadoria do vosso amigo.
  55. Pergutaram-lhe, pois: Que havemos de fazer para praticarmos as obras de Deus?
  56. Agora, pois, por favor, olhai para, mim; porque de certo à vossa face não mentirei.
  57. Jesus lhes respondeu: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou.
  58. Mudai de parecer, peço-vos, não haja injustiça; sim, mudai de parecer, que a minha causa é justa.
  59. Perguntaram-lhe, então: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos e te creiamos? Que operas tu?
  60. Há iniqüidade na minha língua? Ou não poderia o meu paladar discernir coisas perversas?
  61. Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Do céu deu-lhes pão a comer.
  62. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu.
  63. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.
  64. Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão.
  65. Declarou-lhes Jesus. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede.
  66. Mas como já vos disse, vós me tendes visto, e contudo não credes.
  67. Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.
  68. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.
  69. E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia.
  70. Porquanto esta é a vontade de meu Pai: Que todo aquele que vê o Filho e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.
  71. Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu;
  72. e perguntavam: Não é Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz agora: Desci do céu?
  73. Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre vós.
  74. Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.
  75. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim.
  76. Não que alguém tenha visto o Pai, senão aquele que é vindo de Deus; só ele tem visto o Pai.
  77. Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que crê tem a vida eterna.
  78. Eu sou o pão da vida.
  79. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram.
  80. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra.
  81. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne.
  82. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a sua carne a comer?
  83. Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.
  84. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.
  85. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida.
  86. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.
  87. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.
  88. Este é o pão que desceu do céu; não é como o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.
  89. Estas coisas falou Jesus quando ensinava na sinagoga em Cafarnaum.
  90. Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?
  91. Mas, sabendo Jesus em si mesmo que murmuravam disto os seus discípulos, disse-lhes: Isto vos escandaliza?
  92. Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava?
  93. O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida.
  94. Mas há alguns de vós que não crêem. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar.
  95. E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido.
  96. Por causa disso muitos dos seus discípulos voltaram para trás e não andaram mais com ele.
  97. Perguntou então Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos?
  98. Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.
  99. E nós já temos crido e bem sabemos que tu és o Santo de Deus.
  100. Respondeu-lhes Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? Contudo um de vós é o diabo.
  101. Referia-se a Judas, filho de Simão Iscariotes; porque era ele o que o havia de entregar, sendo um dos doze.

João