Uma janela sobre o mundo bíblico

João


João 2



  1. Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus;
  2. Chegou outra vez o dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor; e veio também Satanás entre eles apresentar-se perante o Senhor.
  3. e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento.
  4. Então o Senhor perguntou a Satanás: Donde vens? Respondeu Satanás ao Senhor, dizendo: De rodear a terra, e de passear por ela.
  5. E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho.
  6. Disse o Senhor a Satanás: Notaste porventura o meu servo Jó, que ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal? Ele ainda retém a sua integridade, embora me incitasses contra ele, para o consumir sem causa.
  7. Respondeu-lhes Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.
  8. Então Satanás respondeu ao Senhor: Pele por pele! Tudo quanto o homem tem dará pela sua vida.
  9. Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser.
  10. Estende agora a mão, e toca-lhe nos ossos e na carne, e ele blasfemará de ti na tua face!
  11. Ora, estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três metretas.
  12. Disse, pois, o Senhor a Satanás: Eis que ele está no teu poder; somente poupa-lhe a vida.
  13. Ordenou-lhe Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima.
  14. Saiu, pois, Satanás da presença do Senhor, e feriu Jó de úlceras malignas, desde a planta do pé até o alto da cabeça.
  15. Então lhes disse: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E eles o fizeram.
  16. E Jó, tomando um caco para com ele se raspar, sentou-se no meio da cinza.
  17. Quando o mestre-sala provou a água tornada em vinho, não sabendo donde era, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água, chamou o mestre-sala ao noivo
  18. Então sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua integridade? Blasfema de Deus, e morre.
  19. e lhe disse: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.
  20. Mas ele lhe disse: Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos de Deus o bem, e não receberemos o mal? Em tudo isso não pecou Jó com os seus lábios.
  21. Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.
  22. Ouvindo, pois, três amigos de Jó todo esse mal que lhe havia sucedido, vieram, cada um do seu lugar: Elifaz o temanita, Bildade o suíta e Zofar o naamatita; pois tinham combinado para virem condoer-se dele e consolá-lo.
  23. Depois disso desceu a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias.
  24. E, levantando de longe os olhos e não o reconhecendo, choraram em alta voz; e, rasgando cada um o seu manto, lançaram pó para o ar sobre as suas cabeças.
  25. Estando próxima a páscoa dos judeus, Jesus subiu a Jerusalém.
  26. E ficaram sentados com ele na terra sete dias e sete noites; e nenhum deles lhe dizia palavra alguma, pois viam que a dor era muito grande.
  27. E achou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas, e também os cambistas ali sentados;
  28. e tendo feito um azorrague de cordas, lançou todos fora do templo, bem como as ovelhas e os bois; e espalhou o dinheiro dos cambistas, e virou-lhes as mesas;
  29. e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio.
  30. Lembraram-se então os seus discípulos de que está escrito: O zelo da tua casa me devorará.
  31. Protestaram, pois, os judeus, perguntando-lhe: Que sinal de autoridade nos mostras, uma vez que fazes isto?
  32. Respondeu-lhes Jesus: Derribai este santuário, e em três dias o levantarei.
  33. Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu o levantarás em três dias?
  34. Mas ele falava do santuário do seu corpo.
  35. Quando, pois ressurgiu dentre os mortos, seus discípulos se lembraram de que dissera isto, e creram na Escritura, e na palavra que Jesus havia dito.
  36. Ora, estando ele em Jerusalém pela festa da páscoa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome.
  37. Mas o próprio Jesus não confiava a eles, porque os conhecia a todos,
  38. e não necessitava de que alguém lhe desse testemunho do homem, pois bem sabia o que havia no homem.

João